Fernando Meligeni, ex-top 25 do mundo, utilizou de suas redes sociais para comentar a decisão de João Fonseca, que neste sábado comunicou que não irá mais atuar em 2026.
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Atual 29º colocado na tabela de classificação, o jovem de 20 anos emitiu um comunicado, através de sua assessoria de imprensa, onde explicou as razões de tomar a decisão de não jogar mais em 2026. Ele sofrerá queda no ranking e em princípio retorna em janeiro de 2027. (LEIA AQUI)
“O tênis acordou com a notícia de que João não vai jogar mais este ano. Em tempos em que a informação é mais acessível, mas nem sempre transparente, o medo da repercussão dita o que se escreve e o que se cala. A culpa é do atleta? Do time? Talvez precisemos ampliar o olhar e entender que a pressão que colocamos sobre eles deixa pouco espaço para a verdade e pouca coragem para dizer claramente o que está acontecendo”, iniciou.
“O comunicado de João deixa margem para especulações. É físico ou mental? É grave ou preventivo? Ele vai jogar a exibição contra Alcaraz, mas não o circuito? Afinal, qual é o verdadeiro problema? Como analista e torcedor, não posso fingir que acho isso normal. Preocupa-me. Como ex-atleta, entendo que há coisas que não são ditas. E, claramente, decidiram não contar tudo”, seguiu ‘Fininho’.
“Como analista e torcedor, não posso fingir que acho isso normal. Preocupa-me. Como ex-atleta, entendo que há coisas que não são ditas. E, claramente, decidiram não contar tudo. Uma verdade e uma pergunta precisam ser colocadas. O hype fez mal a João. Ele já parecia mais pesado, sério e assustado. Talvez ainda não tenha conseguido lidar com esse moedor de cérebro que é ser tratado como o “salvador da pátria”, opinou Meligeni.
“Aos que gostaram de atacar, julgar, desdenhar e massacrar um jovem, só digo uma coisa: vocês conseguiram. Parabéns!”, escreveu o semifinalista de Roland Garros em 1999, que a seguir faz uma importante ponderação, lembrando as frequentes declarações de Fonseca, que aumentaram ainda mais as expectativas sobre ele.
“Talvez a sinceridade tenha custado caro. Ao dizer que queria ser número 1 do mundo, João criou uma expectativa enorme. Na vida, todos temos responsabilidade: ele, o time, o esporte e os haters. Mas não cansamos de errar. Fazemos isso com nossos filhos, pressionando-os e transferindo nossas frustrações. Fazemos com nossos ídolos e com jovens em formação. Vivemos de comparações e, muitas vezes, destilamos nossas frustrações e nosso ódio nos outros”, comentou.
“Agora, é torcer para que ele se recupere física e mentalmente. A parte física não me preocupa tanto. A mental, no fundo, também não. Nunca achei que a caminhada seria fácil, como muitos parecem acreditar. Nunca o comparei aos outros. João tem seu tempo. Que ele se encontre, descanse e volte forte. Quero vê-lo sorrindo, leve e curtindo o circuito. Os resultados também são consequência de como ele vive fora das quadras. Mas há uma pergunta que ele precisa fazer a si mesmo: quanto está disposto a pagar para se tornar quem sonhou ser? Força, João”, finalizou.









