Por Carlos Omaki
João Fonseca terá mais uma provação em Roland Garros nesta terça-feira a partir das 15h15.
Depois de vencer o maior jogador da história, Novak Djokovic, e logo na sequência mostrar que “território desconhecido” não parece ser um problema para João e sua equipe, superando mais um dos nomes mais credenciados ao título, o norueguês Casper Ruud — finalista por duas vezes consecutivas em Roland Garros — o brasileiro chega a mais um grande desafio.
Desta vez, a missão será comprovar algo que ele vem demonstrando: a capacidade de crescer nos grandes momentos e transformar novos desafios em aprendizado.
Além disso, terá a oportunidade de reverter um pequeno histórico negativo.
Embora o histórico entre João Fonseca e Jakub Menšík ainda seja curto, com apenas uma partida disputada no circuito profissional, no NextGen Finals, em dezembro de 2024.
Talvez o mais interessante deste duelo seja perceber que João encontrará do outro lado não apenas um adversário, mas um representante da mesma geração.
Menšík combina características muito perigosas para o tênis atual: grande estatura, potência nos golpes de fundo, um saque capaz de gerar muitos pontos gratuitos e, principalmente, a coragem dos jovens jogadores que ainda constroem sua própria história.
Esse talvez seja um dos grandes desafios deste novo momento de João. Depois de derrubar campeões consagrados, enfrentar alguém da sua própria geração exige uma energia diferente. Não existe o papel do jovem tentando surpreender uma lenda. Existe uma batalha direta por espaço no futuro do tênis.
Se avaliarmos as atuações até aqui, podemos sim acreditar que João Fonseca já começa a se colocar como um candidato até mesmo ao título. Mas uma coisa é certa: nesta fase de um Grand Slam, não existe jogo simples, nem adversário sem chances reais.
Curiosamente, um Roland Garros que poderia perder interesse com a ausência de grandes nomes como Carlos Alcaraz e Jannik Sinner pode estar se tornando ainda mais especial. Estamos assistindo ao início de uma nova geração que não está apenas chegando, mas começando a assumir protagonismo.
Para os brasileiros, cada rodada virou um capítulo histórico. E a possibilidade de uma semifinal contra o jovem espanhol Rafael Jodar, também de apenas 19 anos, deixa ainda mais evidente que o futuro do tênis mundial talvez esteja começando a ser escrito agora.
Se vencer hoje, João enfrentará Alexander Zverev — possivelmente o jogador de maior currículo restante na chave — ou outro jovem talento que pode protagonizar grandes batalhas desta nova geração.
Pra cima dele, João!
Siga feliz. Siga como você mesmo disse depois da vitória sobre Novak Djokovic: aproveitando os jogos, vivendo o momento e deixando as coisas fluírem da mente e do coração.
É Brasil na cabeça!
Sobre Carlos Omaki
Carlos Omaki é treinador de tênis há 40 anos. Uma das referências do tênis nacional, dono de duas premiações como Melhor Técnico das categorias de base do Tênis brasileiro, é proprietário da COT (Carlos Omaki Treinamento) tendo equipes na Academia Paulistana de Tênis, Club Athletico Paulistano e Tênis Club Paulista e com seu staff de treinadores cuida de cerca de 800 atletas na cidade de São Paulo.








