Crédito: National Bank Open by Rogers
Crédito: National Bank Open by Rogers

Especialista aponta que pausas no calendário do tênis são essenciais

Compartilhe:

Um dos maiores especialistas em psicologia do esporte na Europa, o doutor em psicologia Makis Chamalidis, foi ouvido pelo jornal francês L’Équipe, no qual aponta algumas necessidades às quais os tenistas precisam estar atentos para se manterem competitivos.

Chamalidis já foi chefe do departamento de psicologia da federação francesa de tênis (FFT) e atualmente é quem comanda o mesmo departamento no clube de futebol AS Mônaco, que tem como treinador o brasileiro Filipe Luís. Chamalidis também tem outros trabalhos importantes com atletas de golfe profissional e a seleção francesa de vôlei.

“É essencial programar pausas. Essa é uma decisão tomada pela comissão técnica e pelo jogador, logo no início da temporada, com o objetivo de recarregar as energias mentalmente. Trata-se de recuperação emocional, um tema cada vez mais comum no esporte de elite”, inicia o especialista.

O doutor em psicologia aponta que as pausas programadas, para que o atleta se desconecte totalmente do esporte competitivo, ao lado de amigos que não estão envolvidos com o esporte e familiares, são essenciais para que se consiga manter a constância de rendimento. Para ele, precisam fazer parte da programação como quem define os torneios a se jogarem.

O especialista também chama a atenção para a questão do sono dos atletas, em especial no tênis em que muitas vezes jogos acabam de madrugada, e destaca que há uma rotina que não deve ser negligenciada pelo cansaço: “se um atleta joga até tarde da noite, como costuma acontecer no tênis, e precisa jogar novamente no dia seguinte ou depois, ele precisa fazer um balanço mental da partida ou do dia para favorecer o sono antes de ir para a cama”. Porque sempre há algo o incomodando. É uma rotina que pode durar no máximo quinze minutos. O atleta a realiza inteiramente por conta própria. Ele pode responder a um questionário, meditar um pouco ou refletir sobre o que correu bem ou mal na quadra”.

De acordo com o psicólogo, a rotina não precisa de mais de 15 minutos para ajudar no descanso e pode ser feitas de muitas maneiras, incluindo meditação ou respostas a um questionário previamente elaborado. O contexto é esvaziar um pouco a cabeça do que está incomodando a respeito do jogo que pasou e dar espaço ao descanso para competir no dia seguinte.

Chamalidis cita casos como dos estadunidenses Michael Phelps e Simone Biles, respectivamente maiores medalhistas olímpicos na natação e ginástica, que tornaram públicas suas lutas com a questão mental. Ele também cita a japonesa Naomi Osaka, campeã de quatro Grand Slams, e ressalta que cada vez mais o público verá atletas de elite tocando no tema, se afastando de competições muitas vezes em cuidados preventivos.

Os pontos destacados no artigo são um aviso ao público de que deverá se acostumar com esse tipo de programação dos seus atletas favoritos. Chamalidis destaca o documentário de Michael Phelps The Weight of Gold [O Peso do Ouro] como conteúdo ideal para se entender as consequências de se treinar 365 dias ao ano.

No Brasil, os dois principais nomes da atualidade no tênis, João Fonseca e Beatriz Haddad Maia encerraram suas temporadas antes do programado para cuidarem também de sua saúde mental.

Para ler o artigo na íntegra e em francês, clique aqui.

Noticias Relacionadas

Quer acompanhar as últimas notícias?