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Todos contra dois

Quinta-feira, 25-08-2005 21:41

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Federer x Nadal


Por Daniel Lacerda

Começa nesta segunda-feira o US Open, último Grand Slam da temporada. Não resta dúvida que os favoritos absolutos são Roger Federer e Rafael Nadal. Números que comprovam essa superioridade não faltam: cada um deles conquistou nove títulos em 2005, sendo um desses de Grand Slam. Além disso, eles venceram simplesmente todos os Masters Series disputados este ano. Federer levantou os títulos de Indian Wells, Miami, Hamburgo e Cincinnati; Nadal faturou Monte Carlo, Roma e Montreal.


O confronto direto entre eles aumenta a sensação de equilíbrio. Federer e Nadal se enfrentaram 2 vezes em 2005, com uma vitória para cada um. Na final do Masters Series de Miami, disputado em quadras duras, o suíço conseguiu a vitória de virada por 3 a 2, parciais de 2/6, 6/7, 7/6, 6/3 e 6/1. Já na semifinal de Roland Garros, o jovem espanhol deu o troco e venceu por 3 sets a 1, parciais de 6/3, 4/6, 6/4 e 6/3.

Mas a verdade é que, mesmo diante desse aparente equilíbrio, não se pode questionar o favoritismo do suíço. Além de ser mais completo e mais experiente que o espanhol, seu jogo se encaixa melhor em quadras rápidas. Além disso, ele não perde desde junho, quando foi derrotado exatamente por Nadal, em Roland Garros. Isso significa que desde que o circuito voltou para as quadras rápidas, Federer se mostra imbatível. Já o espanhol levantou o troféu em Montreal, mas caiu diante do tcheco Tomas Berdych em sua estréia em Cincinnati. Obviamente não é uma derrota que possa ser considerada desesperadora, mas o espanhol já dá alguns sinais de cansaço que o excesso de jogos e de correria lhe causou. Esse fator pode ser crucial num torneio com duração de duas semanas, sob forte calor e disputado em melhor de 5 sets desde o princípio.

Apesar de ser um duelo esperado, a realidade é outra, já que não combinaram nada com os demais jogadores. Há, sem dúvida, alguns outros bons tenistas famintos por uma oportunidade de desbancar a dupla dinâmica. Encabeçando a lista aparece Lleyton Hewitt, finalista do ano passado e campeão em 2001. Se o seu atual momento contra Federer é desanimador, nada melhor do que tentar se superar e voltar a conquistar um novo troféu de Grand Slam, que não aparece em sua estante desde Wimbledon 2002. Outro que não pode ser excluído é Andy Roddick. Mais uma vítima constante do suíço, o americano tem no saque e na torcida suas maiores armas. Campeão em 2003, Roddick ano passado parou nas quartas diante de Joachim Johansson.

Outros 2 ex-campeões também não podem ser descartados. Andre Agassi mostra que ainda está em boa forma e a final em Cincinnati comprova isso. Seus golpes continuam com a precisão de sempre e a sua determinação é impressionante, nessa que pode ser sua última participação no torneio. Já Marat Safin vem sofrendo com contusões. Mas o russo é daqueles que gostam de surpreender e que se pegar confiança, é adversário duríssimo até para Federer em seus dias mais inspirados.

Veja abaixo uma pequena análise da chave do US Open:

Roger Federer (SUI) x Ivo Minar (TCH)
O suíço não deverá ter problemas em sua estréia. Ele já enfrentou o tcheco em duas oportunidades, ambas este ano, e ganhou as duas. Em Dubai foi difícil, com a vitória conquistada apenas no tie-break do terceiro set. Já em Wimbledon, vitória fácil por 6/4, 6/4 e 6/1. Caso avance, o suíço enfrenta Fabrice Santoro ou Jurgen Melzer. Nenhum dos dois jogadores parece ser capaz de ameaçar a sua caminhada. Na terceira fase o oponente mais complicado seria o belga Olivier Rochus, adversário que superou com extrema facilidade em Cincinnati. O primeiro jogo mais duro poderia ocorrer nas oitavas de final, diante de Juan Carlos Ferrero ou Nicolas Kiefer.

Rafael Nadal (ESP) x Bobby Reynolds (EUA)
Nadal é outro que provavelmente passará pela estréia sem sustos. No confronto direto a vantagem é do espanhol que venceu em rápidos 6/1, 6/1 e 6/3 no Aberto da Austrália este ano. Caso avance, o panorama não muda. Neste caso ele pode enfrentar ou o americano Scoville Jenkins ou um qualifier. O primeiro jogo mais complicado aconteceria na terceira rodada, contra Greg Rusedski, semifinalista em Montreal e excelente sacador.

Lleyton Hewitt (AUS) x Albert Costa (ESP)
Caso o jogo ocorresse no saibro ou há alguns anos atrás, a partida poderia ser mais dura. Hewitt, que defende a final do ano passado, deve passar pelo experiente espanhol sem dificuldades. O confronto direto aumenta essa impressão, já que o australiano tem vantagem de 5 a 1. A última vez que eles se enfrentaram foi em 2002, na Masters Cup em Xangai, e Hewitt venceu por 6/2, 4/6 e 6/3. A segunda rodada pode ser um pouco mais complicada, diante do argentino José Acasuso ou do peruano Luis Horna, mas nada que assuste demais. O primeiro adversário perigoso pode aguardá-lo na terceira rodada: o americano Taylor Dent.

Andy Roddick (EUA) x Gilles Muller (LUX)
Roddick vai enfrentar na estréia um jogador que também tem no saque sua melhor arma. Mesmo assim o americano deve passar, caso também encaixe o seu. Mas a sua chave já aguarda uma possível dificuldade logo na segunda rodada, diante de Robby Ginepri, que vem fazendo ótima campanha nesta fase de quadras duras. Se passar pelo seu compatriota, pode enfrentar outro jogador perigoso: o alemão Tommy Haas. Sem dúvida a chave de Roddick é a que promete mais emoções neste início.

Marat Safin (RUS) x Alexander Popp (ALE)
Safin enfrentará em sua estréia um jogador que tem no saque seu principal golpe. O confronto direto aponta 1 a 0, para o russo, que venceu em Halle, na grama, este ano. Popp, que está com ranking protegido, não deve impor dificuldades. A segunda rodada também parece tranqüila à primeira vista. Karol Beck e Jarkko Nieminen não são adversários que coloquem medo. A primeira partida mais complicada poderia ocorrer na terceira rodada diante do imprevisível Max Mirnyi. Mas o estado físico de Safin pode ser um adversário mais forte que seus oponentes iniciais.

Andre Agassi (EUA) x Razvan Sabau (ROM)
A estréia de Agassi é boa e ele deve passar sem dificuldades. Sabau disputou apenas 9 partidas em torneios da ATP e o saibro é o seu piso predileto. Já a segunda rodada promete ser mais trabalhosa. Ivo Karlovic ou Mardy Fish são adversários que podem se tornar perigosos devido aos seus bons saques. O brasileiro Ricardo Mello pode ser o adversário do americano na terceira rodada.

Ricardo Mello (BRA) x Juan Monaco (ARG)
Se o brasileiro não vem em boa fase, nada de diferente pode ser dito sobre o argentino. Os dois jogadores estão com mais derrotas do que vitórias nesta temporada e a estréia parece ser boa para Mello avançar. Se ele passar pelo argentino, enfrenta o vencedor do confronto entre o cabeça de chave 32 Tomas Berdych e o alemão Philipp Kohlschreiber. Já numa eventual terceira rodada, Mello poderia enfrentar nada mais nada menos que Andre Agassi.

Gustavo Kuerten (BRA) x Paul Goldstein (EUA)
Em condições normais, Guga não teria grandes dificuldades nesta estréia. Mas o brasileiro não vem em boa fase e qualquer adversário pode ser perigoso. De qualquer maneira Guga escapou de um confronto mais difícil e é possível acreditar em uma vitória. Se passar pela estréia, ele pode enfrentar Tommy Robredo, que encara um qualifier na estréia. Robredo já venceu Guga 2 vezes nesta temporada e uma vitória sobre o espanhol parece mais difícil. Avançando um pouco mais na chave, Guga pode enfrentar na terceira fase o sueco Thomas Johansson e nas oitavas o espanhol Rafael Nadal.

Conhecidas as principais atrações e partidas da primeira rodada, agora é aguardar segunda-feira e ver se a teoria, uma parte pouco confiável no esporte, e a prática atuam em sintonia. Roger Federer e Rafael Nadal parecem mesmo acima dos demais. É a hora de saber se os adversários estão preparados para fazer frente aos dois principais tenistas da atualidade.

Confira aqui a Chave do US Open

Confira mais sobre o US Open na coluna: Especial US OPEN

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