Tênis Universitário – Vamos Copiar o Modelo Americano

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Por Felipe Fonseca e Mauricio Cabrini, Daquiprafora Intercambio

Atravessamos um sem ter sequer um brasileiro entre os 100 melhores do mundo. Se olharmos lá no final da lista, nas posições não tão nobres do ranking da ATP, a situação parece sem perspectivas. Com 81 jogadores na lista da ATP, o tem apenas 6 jogadores entre os 200 do mundo e que lucram com o tênis. Os outros 75 ainda pagam para jogar.

Estes números provocam algumas perguntas: Por que temos tantos jogadores que ficam estagnados entre 600 e 1.000 no ranking? Que formação acadêmica e carreira seguirá um tenista que não atingir o ranking necessário para viver do tênis após alguns anos lutando no circuito?

Com um sonho em mente, mas ainda despreparados, nossos tentam a sorte no circuito e depois de alguns anos sem ótimos (no tênis, bons não bastam) acabam pressionados, desmotivados e sem . No Brasil existe uma noção de que “ou o tenista vai, ou racha”. E para aqueles que ficam no lado do “racha” e não chegam aos Top 200, não há muitas perspectivas para o futuro pois muitos atletas deixam de estudar, não conseguem uma formação, e no futuro tem dificuldade para conseguir um bom emprego.

Fala-se muito sobre a desestruturação, falta de apoio e patrocínios, ou quaisquer outros que justifiquem a falta de jogadores brasileiros no topo do ranking. Mas, na verdade, o que ocorre é que a grande maioria de nossos tenistas não está preparada para ingressar no circuito profissional aos 18 anos de idade. Ainda falta maturidade, e principalmente jogo. O circuito profissional de tênis é um dos ambientes mais competitivos do mundo, onde apenas os 200 ficam com sua conta bancária no azul ao final da temporada e não é qualquer jovem talentoso que vai ser bem sucedido nele. Tem que ser muito bom e estar preparadíssimo. Isso para não falar que tem que ter nascido para isso.

Outro fator que dificulta a transição é o investimento financeiro que precisa ser feito para jogar um ano no circuito profissional. E como nos futures as premiações são baixas em relação aos custos para jogar os torneios, os jogadores acabam pagando caro para estar no circuito.

Enquanto isso, os vêm utilizando um modelo mais seguro, muito mais barato e com resultados sólidos e comprovados, que prepara o indivíduo tanto como um atleta que vai entrar de cabeça no circuito como alguém qualificado a exercer uma outra profissão. Os americanos estão utilizando o tênis universitário para desenvolver seus tenistas de uma forma geral. Após a universidade eles estão mais maduros e jogando melhor, podendo então seguir atrás do tão sonhado objetivo de ser um tenista profissional. Se isso não dá certo, o diploma está garantido e o futuro profissional bem encaminhado.

Neste modelo, se um tenista não está entre os 10 melhores juvenis do mundo e é um fenômeno aos 17-18 anos, ele vai para a universidade. E fenômeno não é quem ganha torneios nacionais juvenis. É quem tem resultados expressivos nos Grand Slams juvenis e nos futures. São aqueles que com 17-18 anos já mostram para todo mundo que terão um futuro promissor em nível mundial, não nacional. E assim como o Brasil, anualmente os americanos só tem 2 ou 3 juvenis com este potencial.

Nas universidades os tenistas contam com uma equipe técnica completa e experiente, tem uma infra-estrutura que nós brasileiros nunca vimos em nosso país, parceiros de alto nível para treinar e durante os 3 meses de férias, ainda podem jogar futures e challengers. Além disso, depois de formados, estarão mais maduros para entrar no circuito como homens de 21- de idade e não garotos de 18-19 anos. Outra grande vantagem é o baixo custo para ter tudo isso, que varia entre $0 e $6,000 dólares por ano, dependendo da bolsa que o tenista recebe. Neste custo estão incluídos os estudos, moradia e todas as refeições, além de todos os custos relacionados ao tênis (uniformes, material, treinos e viagens).

Para não ficar só na teoria, citamos o exemplo do americano Paul Goldstein, que foi o 10º melhor juvenil do mundo e optou por jogar tênis universitário. Goldstein se formou na Stanford University é hoje o número 71 da ATP, e ano passado fez semifinais nos ATPs de Las Vegas e Houston. Outro exemplo é o tenista James Blake, que ocupou a posição de 92 do ranking da ITF e depois jogou na prestigiada universidade de Harvard antes de ingressar no profissional. Hoje é o número 6 do mundo. Os tenistas Robert Kendrick, Michael Russel, e Amer Delic são exemplos de quem não tinha um bom ranking mundial juvenil (acima dos 200 do mundo), e se beneficiaram com o tênis universitário. Eles são agora, respectivamente, 87, 95 e 94 do mundo.

Dos 19 americanos atualmente entre os 200 da ATP, 11 jogaram tênis universitário. E dentre os 8 que não passaram pelas universidades encontramos 3 fenômenos, destes que não nascem todos os dias e não podem ser comparados aos outros “mortais” – , e Ginepri. Ou seja, dos 16 “normais” que estão entre os 200, 11 jogaram tênis universitário. Esses dados mostram que o modelo de tênis universitário norte-americano tem funcionado. Vê-se isso pelo alto número de tenistas americanos entre os Top 200. Quem é bom de verdade vai para o circuito. E quem tem potencial mas ainda não está pronto, vai para a universidade e se prepara.

Para ajudar na transição dos tenistas universitários para o circuito profissional, a USTA (Federação Nacional de Tênis) promove uma série de futures e challengers justamente durante o período de férias das universidades (maio a agosto). Desta forma, durante as férias pode-se jogar até 12 semanas de torneios profissionais para fazer a adaptação ao circuito, inclusive recebendo as premiações dos torneios. Caso o tenista comece a realmente se destacar, nada lhe impede de trancar a universidade por um tempo e se aventurar pelo circuito, como alguns já fizeram com , como é o caso de Blake e Justin Gimelstob.

A cada ano o número de tenistas brasileiros que partem para os aumenta e atualmente temos pelo menos 350 “brazucas” jogando tênis universitário nos EUA, o que faz do Brasil o 5º país com mais tenistas na liga universitária. Um dos brasileiros de maior nos EUA é o mineiro Henrique Cançado, que joga pela Old Dominion University, no estado da Virginia. Cançado é atualmente o 18º melhor universitário dos EUA, sendo que são mais de 2.000 jogadores somente na 1ª divisão. Outros brasileiros de destaque no circuito universitário são Pedro Campos, Eidy Igarashi, André Moreira, Bruno Rosa, Diego Cubas, Renan Delsin e Ivan Cressoni.

Jovens tenistas, pais e treinadores não devem continuar apostando todas suas fichas no tênis profissional de imediato. Números não mentem e temos que aprender a analisar as estatísticas para saber se o caminho que será usado oferece boas chances de sucesso. Se as chances não são boas, por que então correr um risco tão alto. Além disso, temos na nossa frente o exemplo do modelo utilizado pelos americanos, que é bem sucedido e barato para nós, afinal de contas, quem está pagando boa parte da conta é a universidade. Se eles fazem isso e dá certo, então por que não copiá-los?

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