A ucraniana Oleksandra Oliynykova chegou para sua entrevista coletiva em Paris, preparada para falar contra a Associação das Tenistas Profissionais (WTA) por tentar silenciá-la quando o assunto é a Guerra da Ucrânia, e com ‘provas' de que a russa Diana Shnaider apoia indiretamente “campos com crianças” sequestradas durante a guerra.
Chegou à sala de imprensa utilizando sua bolsa de quadra e enquanto se posicionava para responder aos jornalistas, fez questão de posicioná-la com alguns pads decorativos. Ao fim da coletiva, Oliynykova explicou: “Isso aqui é muito importante para mim. Isso é um presente das pessoas que estão lutando ao lado do meu pai”, iniciou ela mostrando o objetivo (foto acima).
A ucraniana contou que as pessoas que estão na batalha contra o exército russo com seu pai são cidadãos de Belarus, membros do movimento democrático do país, que têm protestado pacificamente ao redor de Belarus desde 2020. Segundo Oliynykova, o objeto é algo comercial e não promove especificamente nada, mas foi censurado pela WTA que exigiu que ela não entrasse com o pad em sua bolsa em quadra.
Ela contou ainda ter questionado a ordem e ouviu que a peça não era parte do modelo da bolsa e a regra do esporte não permite informações nos equipamentos esportivos que não digam respeito ao equipamento: “Então eu perguntei se eu poderia tê-lo como um Kirin ou o Labubu e a resposta foi ‘não', porque era a regra. Mas a questão é que vemos muitas garotas levando brinquedos e tudo mais no circuito. Então, o que eu queria questionar, é que as regras são importantes quando (os objetos) têm um significado. Se não tiverem significado, ninguém se importa”.
Oliynykova venceu nesta quinta-feira a australiana Kimber Birrell no tiebreak do terceiro set em uma partida em que considera que tanto a rival quanto ela “jogaram muito bem” e se disse “orgulhosa” da performance de ambas, mesmo reconhecendo: “Houve momentos em que eu estava com medo de perder e medo de ganhar”.
Na próxima rodada, a ucraniana encara a russa Diana Shnaider, 23ª, que vem e vitória contra a americana McCartney Kessler, 48ª, em 7/6 (3) 6/1. Oliynykova chegou preparada para mostrar prints de redes sociais como prova de que Shnaider é parte da “ferramenta de propaganda” pró Rússia e Putin na guerra contra a Ucrânia.
Esta não é a primeira vez que Oliynykova verbaliza contra Shnaider e foi questionada sobre o quanto isso pesa para entrar em quadra: “Na quadra, isso não me afeta, porque o que estamos fazendo é o desempenho esportivo. Então, um dia uma jogadora ganha, outro dia outra jogadora ganha, então não é nada de especial”, iniciou.
“O que é sério aqui é o fato de que essa partida vai acontecer, porque Diana Schneider é uma pessoa que participou do torneio da Gazprom”, criticou a ucraniana sobre um torneio exibição patrocinado pela empresa de gás da UCrânia que teve Shnaider como um dos principais destaques. “A Gazprom é uma empresa que financia crimes de guerra, e jogar no torneio que financia os campos para crianças, eu acho que é o mesmo que jogar na Alemanha nazista para oficiais da Gestapo (a polícia secreta do estado nazista) no torneio organizado por uma empresa que construiu Auschwitz. Para mim, não há diferença. E o pior é que todos ficam em silêncio sobre o que essa pessoa fez. É uma loucura”, desbafou.
Oliynykova chamou Shnaider como parte dos mecanismos de propaganda da Rússia algumas vezes e afirmou que atletas que não se posicionam publicamente como a próxima rival são uma fortaleza da agressão. Ela também criticou falas de russos “quando eles dizem ‘Ah sou contra a guerra e desejo que isso se resolva o mais rápido possível', eles estão a favor da propaganda. Como vocês querem que isso acabe? Essa guerra precisa acabar logo e do jeito justo. A vitória justa é apenas a vitória da Ucrânia”, disparou.
“Sou alguém que está sofrendo só por estar em casa. Minha casa está sendo atacada com dinheiro da Gazprom. Eles estão pagando por isso, pelos drones que estão atacando minha cidade”, contou ela que é natural da capital ucraniana Kiev. Mais adiante na conversa, ainda falando da pressão de enfrentar adversários russos em quadra, ela desabafou:
“Na quadra, isso não me afeta, fora da quadra, são essas as coisas em que estou pensando. Mas, sabe, compare essa pressão na quadra com algo que você sente quando um drone explode do outro lado da rua. Quando estou jogando, para mim não é um problema me concentrar apenas no meu jogo, mas o fato de essas coisas serem ignoradas é um absurdo, sabe?”, desabafou.
Oleksandra Oliynikova também comentou que desde sua vitória contra a norte-americana Madison Keys, então atual campeã do Australian Open, em janeiro, tem sofrido pressões para ser menos verbal em relação a Guerra que seu país enfrenta há 3 anos.









