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Muito obrigado por tudo e por tanto, Bellucci!

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Por Gustavo Loio – Costa do Sauípe, Bahia, fevereiro de 2010. Enquanto fazia a cobertura do saudoso Brasil Open, tive o privilégio de conhecer e até jogar algumas partidas de duplas com a família de : os pais (Maria Regina e Ildebrando), a irmã, Beatriz, e o cunhado, Rafael.

Todos estavam radiantes naquela semana. Afinal, Bellucci tinha vencido, na semana anterior, em Santiago, no Chile, o segundo de seus quatro ATPs na carreira e alcançara seu melhor ranking até então (28º). Ele também triunfou em Gstaad (2009 e 2012) e em Genebra, em 2015.

Fiz uma entrevista com seu Ildebrando no dia 8 daquele mês. Na véspera, seu filho tinha erguido o troféu chileno:

– Dormi o sono dos justos. Todo atleta vive com a angústia do insucesso, com o do fracasso. O Bellucci sempre jogou com afinco, com dedicação. Meu filho está colhendo tudo o que plantou. Hoje ele é um vencedor. E este título vai aumentar a confiança. E ele tem muito potencial para desenvolver.

De fato, aquelas palavras do pai de Bellucci se tornaram uma profecia. Tanto que, naquele mesmo ano, mais precisamente em 26 de julho, seu filho alcançou o 21º lugar no ranking mundial. Na história do tênis brasileiro masculino, apenas o incomparável Gustavo Kuerten (ex-líder do ranking) foi mais longe.

Neto de italianos (a família veio para o Brasil em 1890), seu Ildebrando é grato a um grande amigo, Flavio Grando, pelo início da família no tênis:

– Tudo começou no nosso sítio em Tietê. Lá, eu tinha um campo gramado de futebol, até que meu grande amigo Flávio (que começara a jogar tênis há pouco tempo) me incentivou, brincando: ‘Jogando futebol você vai acabar se machucando. Porque não faz uma quadra de tênis no lugar da de futebol? Você está para jogar futebol'. Junto com meu caseiro, acabei construindo a quadra de . Começamos brincando e pegamos o gosto pelo tênis.

Bellucci teve o primeiro contato com o esporte dos quatro para os cinco anos, recorda seu Ildebrando:

– Ainda no campo society, improvisamos a rede com um barbante. Depois é que construímos a quadra de saibro. Quando íamos para Tietê, ele jogava num centro esportivo da prefeitura. Por volta dos 6 anos, o Thomaz foi para o Clube Ipê, em São Paulo. Como vimos o potencial, ele indo para a Play Tennis (academia).”

Koch Tavares: Fundamental

Dono, durante anos, de uma pequena confecção de acessórios infantis, seu Ildebrando não teria condições de bancar a vida do filho tenista. E a Koch Tavares, que agenciou a carreira de Bellucci de 2007 a 2012, foi fundamental nesse sentido. E a postura de Bellucci fora das quadras, de não ir a baladas, de se preservar, foi, segundo o patriarca da família, fundamental para esse suporte da empresa de esportivo.

Lembro-me, também, de uma das conversas com dona Regina naquela incrível semana de fevereiro de 2010 no Sauípe. Ela disse que, certa vez, na transição do juvenil para o profissional, Thomaz pensou em desistir da modalidade, após uma sequência de tropeços.

Para o bem do tênis nacional, Bellucci não só não desistiu, como alcançou grandes feitos. Terminou oito temporadas como top -100 (de 2008 a 2012 e de 2014 a 2016), com destaque para o período entre outubro de 2009 a julho de 2012, no qual ficou, ininterruptamente, no top-50.

Seis vitórias contra top-10

Profissional desde 2005, Bellucci conquistou seis vitórias contra top-10 (em 43 jogos), com destaque para o triunfo sobre o britânico Andy Murray (então, 3º do mundo) no Masters 1000 de Madri de 2011.

Em Grand Slams, o ex-número 1 do Brasil teve 23 triunfos em 36 participações. Seu maior , nesse nível de , foi também em 2010, quando só parou nas oitavas de final de e diante de ninguém menos do que Rafael Nadal. O , por sinal, foi algoz do brasileiro em outras cinco oportunidades, sendo mais três em Slams: em Paris, em 2008, e em Wimbledon, em 2012 e 2015.

Seis anos depois, na Olimpíada do Rio, Bellucci, então 54º do mundo, levantou a torcida, dois top 30 (o uruguaio Pablo , 21º, e o belga David Goffin, 13º) e só nas , novamente diante do gigante Nadal, numa batalha de três sets.

Escrevo este texto antes da de Bellucci no Rio Open, contra o Sebastian Baez. O maior torneio da América do Sul é o capítulo final da bela trajetória do ex-número 1 do país.

Último brasileiro numa final no país

Aliás, foi na quadra central do Jockey Club que o ex-número 21 do mundo conquistou outro de seus seis triunfos contra um top-10: Sobre o japonês Kei , em 2017. A melhor campanha de Bellucci no Rio Open foi na edição inaugural, em 2014, quando alcançou as quartas de final, só parando diante do espanhol David Ferrer.

Foi, também, outro tenista da Espanha, no caso, Tommy , quem impediu Bellucci de erguer um troféu de simples no Brasil. Em 2009, no Sauípe, o tenista nascido na cidade de Tietê, em São Paulo, perdeu por 2 sets a 1 a decisão do Brasil Open. Foi a última vez que um anfitrião chegou a uma decisão de Tour de simples no nosso país.

Nunca me cansei de defender Thomaz de injustas críticas nas redes sociais. Como se ele precisasse disso. Não precisava e nem precisa. Seu legado é de muito trabalho, dedicação, foco e talento, claro. Quantas vezes vi pessoas dizendo que o mental é o de Thomaz, como se isso fosse não fosse um desafio para a maioria dos tenistas.

Desde aquela semana mais que especial no Sauípe em 2010, reencontrei a família de Bellucci algumas vezes no Brasil Open e no Rio Open. Nosso mais recente reencontro foi na última terça-feira. Que felicidade rever seu Ildebrando, dona Regina, Beatriz, Rafael e conhecer as três lindas sobrinhas de Bellucci.

Certamente, orgulho é um dos sentimentos da família de Bellucci.

E para nós, torcedores, o principal sentimento deveria ser de gratidão.

Muito obrigado por tudo e por tanto, Thomaz!

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Sobre Gustavo Loio 

Jornalista formado em 1999 e pós-graduado em Assessoria de Comunicação, já trabalhou com Gustavo Kuerten. E, também, nas redações da Infoglobo (O Globo, Extra e Época), do Diário Lance! e do Jornal O Dia, além do site oficial do Pan de 2007, no Rio.

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