Leva-se tempo para amadurecer, para se acostumar tanto tenísticamente como de fato lidar bem com a pressão. Depois de um 2025 mágico com dois títulos de ATP, um da série 500, e um hype absurdo, João Fonseca vem vivendo um início de 2026 aquém das expectativas.
A derrota no Rio Open é um baque forte. Ainda mais para uma chave que se apresentou muito favorável e uma estreia bem boa, principalmente no segundo set. Olhando em termos de números de ranking, não tinha nenhum top 50 na chave e o 91º na segunda rodada.
Ignacio Buse joga melhor do que o ranking diz. Consistente, inteligente, frio e calculista. Salvou oito dos nove break-points, sendo dois 0/40 em momentos chave da partida (início do segundo set e no 4/3 do segundo) e já havia salvo 12 na estreia contra Igor Marcondes quando virou um 6/4 4/2 abaixo.
De qualquer forma, João joga mais que ele. Só não conseguiu mostrar isso em dois sets. Faltou aproveitar as chances. Faltou lidar melhor com os momentos importantes. Foi afobado em algumas das oportunidades. Cometeu 43 erros. Tentou o SABR de Roger Federer em um 30/40 com o rival sacando em 4 a 3 que foi meio sem sentido. Resumidamente: sentiu a pressão.
Me remeto a 1998 para Gustavo Kuerten. O brasileiro sofria a síndrome da segunda rodada, segundo diziam os jornais na época. Depois do título de 1997 em Roland Garros as expectativas foram lá no alto e levou praticamente um ano e meio ou mais para que o catarinense amadurecesse, encorpasse e ganhasse horas de voo para a partir de 1999 ter a consistência tenística e se estabelecesse lá em cima até virar número 1 do mundo ao finalde 2000 e parte de 2001.
As diferenças são que naquela época não tínhamos redes sociais, portanto o hype óbvio que existia, mas era limitado. A loucura existia, mas era menor em relação a um feito bem maior que João construiu até o momento.
E a pressão está batendo. Jogar em casa não é moleza. A pressão ainda batendo com um adendo. A questão das costas que veio à tona no início do ano. João não falou sobre isso na zona mista de hoje que foi limitada à quatro perguntas e três minutos. Talvez fale nesta sexta depois da semi de dupla, não sei. Mas Buse percebeu o brasileiro botando a mão nas costas em dado momento. Perguntou ao brasileiro ao final do jogo e o carioca disse que estava tudo bem. Aparentemente não vi nada demais, mas é algo a se observar.
Não podemos esconder do torcedor que o ano começou mal e talvez as próximas semanas e meses não sejam o que esperávamos. A badalação tem o bônus, traz torcida, o tênis no país fica energizado, as arquibancadas do maior torneio do Brasil e da América do Sul ficam lotadas só que em contra-partida há o ônus. O povo – não acostumado o quão difícil é o tênis – não entende que ele só tem 19 anos e está em formação e “porradas” como essas virão.
O circuito é muito competitivo, duro e João segue no processo de amadurecimento e pode levar um pouco mais de tempo que se esperava. É dar tempo ao tempo que os resultados virão, com títulos, finais, assim como mais segundas rodadas inesperadas.








