João Fonseca finalmente foi João Fonseca na temporada 2026. Voltou a sorrir. Apresentou, sobretudo a partir do tie-break do primeiro set, boa parte daquele bom tênis que nos acostumou a ver entre o final de 2024 e boa parte de 2025 e desencantou na temporada que havia começado de uma forma bem estranha: uma lesão crônica, falta de ritmo, dificuldades físicas, derrotas e pressão enorme.
Monteiro soube aproveitar enquanto Fonseca lidava com a pressão para equilibrar as ações, mas quando o carioca engatou a quarta e quinta marcha não conseguiu acompanhar o ritmo. Para Thiago ainda falta o calcanhar de aquiles em sua carreira: as devoluções. Praticamente não incomodou João. Mas com seu saque e primeira bola conseguiu fazer um bom primeiro set e a campanha no Rio Open dá esperança que possa se reerguer após uma segunda metade de 2025 bem abaixo para seus padrões.
A vitória tira um peso enorme das costas de João e tende a libertá-lo para brilhar no Rio de Janeiro. Vejo um caminho bem interessante até a semifinal que poderia ser uma decisão antecipada.
Ignacio Buse é o próximo adversário. Perigoso. Menino guerreiro, não larga o osso, saca bem. Faz o simples, o arroz com feijão bem feito. Soube explorar a falta de exepriência de Igor Marcondes em grandes torneios para virar um jogo perdido e foi muito frio. Lidou bem com a torcida contra na quadra 1, não se desesperou e salvou um caminhão de break-points, vários deles colocando o primeiro serviço e comandando com a primeira bola a seguir.
Jogo por jogo, Fonseca tem bem mais punch, ou seja, potência, e a tendência é se sobrepôr. A coisa vai complicar se o brasileiro eventualmente tiver uma alta queda de ritmo, errar demais e o jogo for para o lado físico. Aí fica perigoso.
Nas quartas o brasileiro pegaria Berrettini ou Lajovic. Sinceramente nem sei se o italiano chega nas quartas. Lajovic é rato de Rio Open, rato de um saibrão lento, com calor, umidade. Independente de quem chegue, João teria duas vitórias nas costas e também chegaria com todas as condições de avançar.
Para a semi, Francisco Cerundolo vem bem confiante. Tirou a nhaca e finalmente venceu Buenos Aires, ganhou bem sua estreia no Rio e parece solto, disposto a fazer um jogo super equilibrado com o brasileiro.
Eu diria que seria uma final antecipada. A parte debaixo virou um salseiro danado com eliminações de Luciano Darderi, do atual bicampeão Sebastian Baez. Temos apenas um cabeça de chave por lá, Tomas Etcheverry, oitavo favorito, que ainda não venceu títulos na carreira e a imprensa argentina brinca com o tenista sobre essa questão. Jogador muito competente, mas que não ganha de João em um dia normal.
Temos tudo para ver essa grande semi no sábado, mas tênis é tênis e as condições do Rio na semana estão brutais. Temos uma previsão de chuva fraca a moderada que deve vir entre hoje e sábado ao longo dos dias a partir da tarde. A depender de como venha e que permite termos jogos, as condições tendem a ficar mais pesadas e no caso pode dificultar um pouco a vida do brasileiro nesse caminho traçado. Aguardemos.









