Por Marina Danzini – Assistir Roland Garros já é, por si só, uma experiência inesquecível. Mas viver o torneio por dentro, com acesso aos bastidores e convivendo diretamente com alguns dos maiores nomes do tênis mundial, transformou essa semana em Paris em um marco na minha trajetória como treinadora.
Tudo começou no ano passado, quando fui convidada pela WTA – Women's Tennis Association para integrar um programa internacional de desenvolvimento de treinadoras. O projeto é dividido em três etapas: encontros presenciais — o primeiro deles realizado em Orlando, no centro da USTA -United States Tennis Association —, encontros on-line e uma imersão prática acompanhando a rotina de uma treinadora e sua atleta no circuito profissional da WTA.
Nesta semana, em Paris, tive a oportunidade de viver mais um capítulo especial dessa jornada. A convite da equipe da USTA Coaching, participei de um programa exclusivo de desenvolvimento para treinadores durante Roland-Garros. Um evento fechado, destinado apenas a convidados selecionados de diferentes partes do mundo.
Durante três dias intensos, fomos recebidos pela Federação Francesa de Tênis através da ex-número 11 do mundo Nathalie Dechy, que nos proporcionou acesso ao complexo oficial do torneio com credenciais especiais. Tivemos a oportunidade de conhecer o Centro Nacional de Treinamento da França, realizar um tour pelos bastidores de Roland Garros e entender de perto a estrutura que movimenta um dos maiores eventos esportivos do planeta.

Entre corredores e quadras, cruzamos com nomes históricos do esporte, incluindo a diretora do torneio, Amélie Mauresmo, além de atletas e profissionais do circuito mundial.
O segundo dia foi marcado por uma palestra enriquecedora do renomado treinador Wim Fissette, conhecido por seu trabalho com grandes campeãs como Iga Swiatek , Simona Halep e Kim Clijsters. Atualmente, ele trabalha com a canadense Victoria Mboko. A conversa foi conduzida pelo ex-tenista profissional Ivan Ljubicic e abordou temas fundamentais para a formação de atletas e treinadores: planejamento de calendário, rotinas de treino, gestão emocional e relacionamento com os pais dos atletas.
No terceiro dia, tivemos a honra de ouvir o australiano Darren Cahill, atual treinador do número 1 do mundo Jannik Sinner e ex-treinador de nomes históricos como Andre Agassi e Marat Safin. Foram momentos de enorme aprendizado, recheados de histórias de bastidores, reflexões sobre liderança e mensagens inspiradoras para quem vive a jornada diária do desenvolvimento esportivo.
Após as palestras, tivemos ainda o privilégio de participar de um encontro no terraço da quadra principal Philippe-Chatrier, acompanhando treinamentos de alguns dos maiores nomes do circuito mundial, como Novak Djokovic, Daniil Medvedev, Elena Rybakina, Naomi Osaka e novamente Iga Swiatek.

Além da programação oficial, a credencial nos dava acesso a um clube restrito em frente ao complexo de Roland Garros, onde os jogadores realizam aquecimentos e treinamentos longe do público. Sem possibilidade de filmagens ou fotos, o local proporcionava algo ainda mais valioso: observar de perto a rotina, os detalhes e a intensidade do trabalho dos atletas de elite.
Ali pude acompanhar treinamentos de Aryna Sabalenka, Stefanos Tsitsipas, Karen Khachanov, Belinda Bencic, João Fonseca e Elina Svitolina, entre outros.
Mais do que uma experiência profissional, esses dias em Paris representaram uma oportunidade única de aprendizado, troca e inspiração. Estar inserida nesse ambiente, convivendo com grandes profissionais e observando de perto a rotina do mais alto nível do tênis mundial, me mostrou o quanto ainda há para aprender e evoluir dentro do esporte. Volto dessa experiência com novos conhecimentos, diferentes perspectivas e ainda mais motivação para seguir crescendo como treinadora e contribuir cada vez mais para o desenvolvimento dos atletas.
Finalizo essa imersão com um sentimento profundo de gratidão aos membros do programa da WTA (Women's Tennis Association), da USTA (United States Tennis Association) e da FFT (French Tennis Federation), que proporcionaram dias tão enriquecedores e inesquecíveis. Mais do que acesso ao maior cenário do tênis mundial, essa oportunidade representou aprendizado, inspiração e a certeza de que investir no desenvolvimento de treinadores é também investir no futuro do esporte.
Sobre Marina Danzini
Marina Danzini é coordenadora da COT – Carlos Omaki Tênis, uma das equipes técnicas mais conceituadas do país, atuando em alguns dos mais importantes centros e clubes do tênis brasileiro, como o Club Athletico Paulistano, o Tênis Clube Paulista e a Academia Paulistana de Tênis.
Como atleta, construiu uma trajetória de destaque desde muito jovem. Foi agraciada por três anos consecutivos pela Federação Paulista de Tênis como melhor tenista do Estado de São Paulo nas categorias de 12, 13 e 14 anos.
Aos 14 anos disputou seus primeiros torneios profissionais e, aos 15, conquistou seus primeiros pontos no ranking mundial da WTA. Aos 16 anos sagrou-se campeã brasileira e, aos 17, alcançou sua primeira final profissional de duplas, iniciando oficialmente sua trajetória no circuito profissional, onde permaneceu por quatro temporadas.
Natural de Jundiaí, Marina iniciou sua formação no tênis com a renomada tenista Gláucia Langela. Aos 11 anos passou a treinar sob orientação do treinador Carlos Omaki, com quem desenvolveu uma parceria de trabalho e formação ao longo de 11 anos, participando de um ambiente de altíssimo rendimento ao lado de atletas como Beatriz Haddad Maia e Luísa Stefani, entre outras grandes jogadoras do tênis nacional.
Ao optar pela carreira de treinadora, encontrou forte inspiração no trabalho desenvolvido por Carlos Omaki, reconhecido como um dos maiores treinadores de tênis feminino do Brasil e responsável pela formação de diversas campeãs brasileiras e atletas de nível internacional. Essa convivência contribuiu diretamente para que Marina desenvolvesse um olhar especialmente atento ao trabalho com meninas e mulheres no esporte, compreendendo as particularidades, os cuidados e o suporte necessários para o desenvolvimento feminino no tênis de alto rendimento — sem jamais deixar de lado o trabalho com os meninos, mas entendendo as especificidades de cada processo de formação.
Atualmente, Marina integra programas de desenvolvimento do tênis feminino ligados à Confederação Brasileira de Tênis, à United States Tennis Association e à Women's Tennis Association, mantendo constante atualização e conexão com importantes iniciativas do tênis internacional.









