Por Leonardo Mamede – A má fase da número 1 brasileira, Teliana Pereira, faz os fãs pensarem nos Jogos Olímpicos. Com grandes resultados na gira de saibro do ano passado, a pernambucana precisará defender os pontos logradas, sob pena de sua classificação ao torneio olímpico ficar ameaçada.
Neste ano de 2016, a 50ª da WTA disputou seis torneios oficiais, vencendo apenas um de seus oito jogos. Até a última terça feira, na verdade, Teliana não havia ganho um set sequer – perdera, por 2×0, em Brisbane, Hobart, no Australian Open, Rio Open, Indian Wells e San Antonio -, antes de bater a compatriota Beatriz Haddad Maia, na primeira rodada do WTA de Miami, perdendo logo em seguida para Ana Ivanovic, novamente sem tirar sets.
Teliana terá descontados de seu ranking 501 pontos até o dia em que sai a lista de classificadas às Olimpíadas: 100 do título no ITF de Medellín, 280 pelo título do WTA de Bogotá, primeiro de sua carreira, 48 pelas quartas de final no WTA de Marrakech, no fim de abril, 13 por conta da 2ª rodada no ITF de Cagnes-Sur-Mer, jogado como preparatório para Roland Garros, e 110 por ter passado o qualifying e alcançado a 2ª fase do Grand Slam francês. 428, ou seja, os pontos dos três primeiros torneios citados acima, quase 78% do total, serão defendidos no mês de abril, já somados os 50 no WTA de Miami, nesta semana, o que atenua um pouco a conta.
A brasileira tem possibilidade de jogar o número máximo de oito eventos até o fim de Roland Garros. Como o Grand Slam e o WTA de Madri são dois dos oito maiores torneios da Associação Feminina, eles dão dez pontos para uma tenista derrotada na primeira rodada. Os outros certames, ‘comuns', concedem apenas um ponto.
Dessa maneira, numa perspectiva pessimista, Teliana somaria, no mínimo, 26 pontos até o dia de corte para as Olimpíadas. Com isso, perderia 475, ficando com 639, despencando do top 100.
A ‘nota de corte' para entrar na chave das Olimpíadas é 970 pontos, equivalente ao 67º lugar da lista. Abaixo, segue uma explicação completa dos critérios de qualificação para os Jogos.
São 64 vagas, divididas em três grupos:
– 56 pelo ranking da WTA de 6 de junho, um dia após o término de Roland Garros;
– 6 por convite da Federação Internacional de Tênis;
– 2 convites a cargo do COI, o Comitê Olímpico Internacional, que os concede a tenistas de países menores, sem tanto prestígio no esporte [em Londres 2012, por exemplo, estes dois wild cards foram para Veronica Cepede Royg, do Paraguai, à época apenas a 176ª da WTA, e Stephanie Vogt, de Liechtenstein, 236ª].
Um fator decisivo no ingresso das tenistas é que são permitidas no máximo quatro competidoras por país, no universo das 56 melhores. E, como você deve estar pensando neste momento, sim, há países que têm mais de quatro jogadoras entre as 56 mais bem ranqueadas. A cada tenista ‘excedente', uma vaga a mais se abre. Segue a lista das tenistas que ficarão de fora, precedidas pelo país que representam:
Estados Unidos – CoCo Wandeweghe e Christina Mchale
Alemanha – Anna-Lena Friedsam
República Tcheca – Denisa Allertova
Rússia (caso especial): Maria Sharapova enfrenta um imbróglio por conta de doping e não sabe se o período da possível punição recebida irá tirá-la ou não dos Jogos Olímpicos. Caso Sharapova não jogue, o que é mais provável de ocorrer, Margarita Gasparyan somar-se-ia a ela, sendo a segunda russa fora. Caso Maria compita no Rio, tanto Gasparyan quanto a jovem Daria Kasatkina ficariam excluídas.
A sétima e última vacância fica por conta da italiana Flavia Pennetta, 12ª da WTA, que se aposentou após o US Open 2015, cuja chave feminina ela venceu, mas permanece no ranking.
Dessa forma, as sete tenistas que vêm imediatamente após aquelas impedidas pela regra, estabelecidas do 57º ao 63º posto da lista, entram. No entanto, algumas das jogadoras ranqueadas nestes lugares também são de países que já excederam o número-limite: Madison Brengle, americana, 60ª, e Mona Barthel, 61ª, alemã.
Assim, entrariam a 64ª e a 65ª colocadas, certo? Não. A 64ª é Varvara Lepchenko, também dos Estados Unidos.
Finalmente, chegamos ao 67º lugar no ranking da WTA – o 66º, incrivelmente, está nas mãos de mais uma ‘impedida': Julia Goerges, da Alemanha -, ocupado por Monica Puig, de Porto Rico, que é, hoje, a última jogadora a entrar no Tênis Feminino das Olimpíadas do Rio de Janeiro por suas próprias forças, ou seja, sem depender de um convite da ITF.
Mesmo com Teliana jogando grandes campeonatos preparatórios, ela pode, ainda sim, perder muitos pontos, correndo o risco de cair no ranking e estar, no dia 6 de junho, abaixo das 70 melhores tenistas do Planeta.
Tendo como base a conta em que o 67º posto terá aproximadamente 970 pontos conquistados, atual marca da porto-riquenha Puig, é possível cravar que, se a brasileira somar mais 330 pontos até o fim de Roland Garros – já que ela ganhou 50 pela 2ª rodada desta semana em Miami -, estará, indubitavelmente, classificada ao Torneio Olímpico.
É importante ressaltar que podem haver outras desistências, em caso de tenistas que recusaram convocações da Fed Cup, pré requisito para disputar os Jogos do Rio, ou aquelas que não queiram viajar ao Rio de Janeiro, o que poderia diminuir o ranking de corte para algumas posições além do 70º lugar, e que, se Teliana não alcançar o objetivo da vaga direta, ela pode requisitar uma vaga por convite, através da Confederação Brasileira de Tênis (CBT).
Só nos resta torcer.









