Beatiz Haddad Maia atendeu à imprensa em São Paulo nesta sexta-feira e falou bastante de sua luta com as questões mentais. Sem expor a vida pessoal, a tenista refletiu sobre como encarou os momentos difíceis, como alcançou melhorias e quais ferramentas utilizou.
“Eu acho que em relação à minha parte mental, eu tive um ano mais difícil ali no começo do primeiro semestre, tive muitas derrotas e, claro, que em um mês você acaba fazendo dois jogos. Então, mesmo que você queira ir, por exemplo, jogar um torneio menor ou tentar ter mais íntimos, não era possível no meu calendário”, iniciou a paulistana.
“Eu também sabia que o meu nível de tênis, por muitos momentos, estava alto, mas eu não estava conseguindo encaixar uma vitória. E acabei me cobrando, acabei tendo algumas coisas fora da quadra também que aconteceram, pessoalmente, mas que passaram”, pontuou.
“Acho que eu nunca perdi a crença, eu sempre fui muito convicta no caminho, no ‘como'. Eu já aprendi muito com as derrotas, com os momentos duros da minha carreira, que se você tem a consciência de que você está fazendo o trabalho certo, no caminho certo e você está rodeado de pessoas que têm o mesmo sonho, que viram para esse lugar, as coisas vão acontecer de novo. Então, era uma questão de tempo”, disse ela que se apegou ao fato de que já tinha conseguido dar a volta por cima em momento tão ou mais difíceis.
“Claro que eu acabei duvidando um pouco mais, eu acabei perdendo muita confiança. E as meninas naturalmente enxergam isso, que todo mundo no circuito está te olhando e em nenhum momento eu quis me afastar do circuito, eu quis continuar jogando, continuar jogando”, segue ela destacando que o reencontro com seu tênis se deu na Europa.
“Em Roland Garros, eu já tinha um jogo bom ali com a Baptiste, o terceiro set não foi bom, mas boas sensações. Na grama eu também estive muito perto de deslanchar, eu tive match-point com a (Emma) Navarro (em Queen's), vinha de uma vitória contra a (Petra) Kvitova, o que é muito bom na grama. Eu estava muito perto, mas ao mesmo tempo com uma sensação já muito melhor”, confessou ela que pontua preferir trabalhar mais quieta, fechada com sua equipe.
“E fazendo terapia, que isso para mim também é muito importante e buscando fazer coisas que eu gosto, de às vezes a gente perde um jogo, mas tentar conhecer algum lugar, de conseguir fazer alguma atividade que eu goste em relação à cultura, à música, a tentar estudar francês mesmo que à distância. Coisas que me tragam para o presente, mas que me ajudem nesse momento a também sair um pouco daquela rotina”, contou.
“Às vezes a gente acaba se colocando em uma posição de ou a gente ganha ou a gente perde, mas na verdade nós somos seres humanos e o sol nasce de novo todo dia e a gente tem que ir lá e fazer de novo o que está melhor. Então acho que mentalmente eu estou num momento muito melhor, estou me sentindo feliz, estou mais confiante, tive bons jogos já da metade do ano para cá, estou me sentindo forte. Acho que no US Open conseguir fazer bons jogos também, conseguir elevar para um nível não só de tênis,mas de competitividade, que me permite também estar todos os jogos prontos para pegar a oportunidade de poder ganhar um jogo e me enxergar num momento bom”, finalizou.









