Fernando Meligeni, semifinalista de Roland Garros em 1999 no profissional, comentou o título do jovem goiano Luis Guto Miguel na chave juvenil do Grand Slam francês. Novo número 1 do mundo no juvenil, Guto venceu a competição batendo o americano Michael Antonius na decisão realizada no sábado em Paris.
“Sendo muito sincero, eu não gostei do nível do tênis juvenil deste Roland Garros, de todos os jogos que eu vi. Assisti pelo menos quatro dos top 10 jogando. Gostei muito do Guto jogando, achei que ele jogou bem, e fiquei muito feliz também com o Leonardo Storck, que no primeiro jogo estava mais nervoso, mas se mostrou um menino de personalidade, num ótimo trabalho da Rio Tennis Academy, que tem parceria com o André Sá. Vi o Storck muito organizado, um dos que eu mais vi com tática, muito legal de ver isso, e por isso chegou até a semifinal que acabou escapando contra o Guto, que se perdeu um pouco naquele jogo, mas tem um nível muito alto de tênis”, iniciou.
“O Guto joga muito bem, o que ele precisa é se controlar, se acalmar. A palavra de ordem para o Guto no momento, mesmo ganhando um Slam, é processo. Se ele atropelar o processo, fica pelo caminho. Ele joga muito bem tênis, a família tem que segurar o processo… ele tem dois grandes treinadores – Santos Dumont e Kike Grangeiro”, seguiu Fernando, ao lado do apresentador Fernando Nardini.
“O grande perigo que a gente corre, sempre que um menino jovem ganha um torneio tão grande, é ele atropelar o processo. Infelizmente, dentro do Brasil é normal, porque acaba virando uma estrela. Se você for olhar nas cidades, eles são muito mais estrelas do que eles realmente são. Mas fico muito feliz com o Guto, que continue e que comece a jogar bem também no profissional.”
Nardini também opina sobre a conquista de Guto: “Foi sensacional, encontrei ele depois do primeiro jogo, já estava muito feliz. Só não ganhou mais fácil na final porque nos games de devolução estava muito acelerado, mas tinha muito mais bola do que o americano e é um jogador muito mais pronto, principalmente na movimentação”, opinou o apresentador.
Meligeni novamente alerta sobre a importância de se manter um processo regular, usando exemplos de outros tenistas brasileiros que tiveram um início semelhante ao de Guto, mas não conseguiram repetir o mesmo caminho no profissional.
“Sempre que um juvenil ganha, ou tem uma posição de destaque, como tivemos muitos outros jogadores: Orlando Luz, Fernando Romboli, Nicolas Santos. E uma grande lembrança que tenho é do título do Tiago Fernandes (Australian Open Juvenil de 2010), pois eu nunca atendi tantos telefonemas como naquele dia depois do título do Tiago, foi impressionante a pressão que colocaram nele depois. O João (Fonseca) viveu um pouco disso, mas lidou bem, o (Thiago) Wild também teve um ‘auê' gigantesco. O grande ensinamento que isso nos dá é que temos que ter mais calma, blindar, fechar meninos como o Guto, Vitoria (Barros) e Naná (Nauhan Silva) e outros que estão chegando. Sabemos de muitos outros, não só brasileiros, que se perderam completamente. É uma preocupação muita grande que eu tenho”, finalizou.









