Duas das principais tenistas da WTA, Iga Swiatek e Coco Gauff opinaram sobre a crise entre tenistas e Grand Slams.
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Os atletas de elite do tênis se posicionam de forma cada vez mais dura, querendo uma parcela maior dos lucros dos quatro maiores torneios do mundo – Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open, de forma que estes eventos aumentem significativamente a premiação dos torneios. Nomes da ATP e da WTA pedem aumento superior ao que vem sendo fornecido anualmente. Aryna Sabalenka, número 1 do mundo, não descartou um boicote aos eventos.
“Acho que fomos bastante razoáveis com nossa proposta e ao pedir uma parte justa da receita. O ‘aumento da premiação' não é exatamente o que queríamos, porque a porcentagem da receita está diminuindo. O mais importante é ter uma comunicação e conversas adequadas com os órgãos dirigentes, para termos espaço para conversar e talvez negociar. Esperamos que, antes de Roland Garros, haja uma oportunidade para realizar esse tipo de reunião e veremos como elas se desenrolam”, disse Iga Swiatek.
A polonesa acredita que um boicote seria algo extremo: “Mas boicotar um torneio é uma situação bastante extrema. Não sei. Somos jogadores individuais e competimos uns contra os outros. É difícil dizer como funcionaria ou se isso sequer é possível.”
A americana Coco Gauff também opinou sobre o tema: “De certa forma concordo com o que a Aryna disse, especialmente considerando o que a WNBA (liga de basquete feminina) conquistou. Elas têm um sindicato, e acho que isso ajuda muito. Acho — e isso não é baseado na minha própria experiência, porque ainda não tenho muita vivência — mas pelo que vi em outros esportes, geralmente é preciso um sindicato para se alcançar um progresso significativo e coisas do tipo. Sim, devemos nos sindicalizar de alguma forma. Podemos pressionar a imprensa, sim, mas não importa o quanto nos manifestemos, todos continuarão agindo como se nada estivesse errado. Concordo com a Aryna, e acho que outras tenistas também apoiam isso”, comentou Coco.
“Ainda não participei de nenhum debate real sobre isso, sobre algo tão grande quanto um possível boicote. Talvez tenha havido conversas entre outros jogadores, mas, para ser honesto, nunca falei sobre isso com ninguém do circuito, mas se todos remássemos na mesma direção e colaborássemos, eu consigo ver isso acontecendo perfeitamente (um boicote).”
É importante, e não só para mim; às vezes o debate pode ficar distorcido, dando a impressão de que só nós queremos mais e mais. Nós, como jogadores de elite, entendemos que talvez nossas vozes sejam amplificadas um pouco, simplesmente por causa do alcance que temos: isso não significa que estamos fazendo isso apenas por nós mesmos. Acho que há um consenso: isso precisa ser discutido por todos os jogadores, em todos os níveis, especialmente aqueles que estão na base da pirâmide. É algo que importa para mim, sim. Quero deixar este esporte em melhor situação do que o encontrei: se eu puder fazer a minha parte para que isso aconteça quando me aposentar, terei algo de que me orgulhar”, concluiu.









