Por Paula Capulo, árbitra de cadeira da ITF
Depois de um período de férias no Brasil, a única árbitra de cadeira da Federação Internacional de tênis (ITF), Paula Capulo, foi convidada para pela primeira vez na carreira viajar à França para três semanas de torneios pelo país. Mesmo sem saber muito do francês ela “se virou” e com alguns problemas na viagem desembarcou em Paris, cidade luz. Em mais uma edição da coluna Paulinha conta sobre todos esses problemas e sua primeira semana no qual fez uma final e lamentou a derrota do Brasil na Copa do Mundo justamente na casa deles.
Mandem suas dúvidas de regras, elogios e críticas que Paulinha responde:paulinhacapulo@hotmail.com
Oi pessoal,
Depois de um longo tempo sem escrever, aqui estou com algumas novidades. A ITF (Federação Internacional de tênis) convidou dois árbitros de cada país da América do Sul para trabalharem em torneios na Europa, e os felizardos do Brasil foram eu e Daniel Levy. Esses contatos começaram em março, mas só em maio soube meu destino: França.
Fiquei muito feliz de saber que ficaria por três semanas viajando pela França e ao mesmo tempo muito preocupada: não falo francês! E não teria mais ninguém comigo, pois o destino do Daniel foi a Inglaterra. E por mais que eu pudesse me comunicar em inglês, os jogos devem ser apresentados e conduzidos na linguagem local. Comecei a estudar em casa, comprei livros, dicionários, CDs, quaisquer itens que pudessem me ajudar. Digamos que meu “bonjour” e meu “merci” estavam quase perfeitos!
Depois que resolvi parar de me preocupar tanto com o francês, surgiu outro grande problema: minha passagem era da Varig. Até o dia do meu embarque, 22 de junho, a companhia aérea já tinha cancelado a maioria dos vôos domésticos e alguns internacionais, mas Paris ainda estava na rota.
Justo no dia 21 à noite já tinha sido divulgado por todos os sites do Brasil a nova lista de países cancelados da rota da Varig, desespero total! Liguei para a empresa e eles disseram que meu vôo ainda não tinha sido cancelado. Informação equivocada logo derrubada na manhã seguinte. Corri pro aeroporto e depois de muita tentativa consegui o endosso para a TAM, com vôo para o mesmo dia. Como notícia boa não dura muito tempo, descobri, assim que cheguei no Aeroporto Internacional de São Paulo (Guarulhos), que eu era apenas mais uma na lista de espera! O resultado: várias horas de ansiedade, junto com cerca de 40 passageiros na mesma situação. Consegui embarcar como última da lista!

Depois de 11 longas horas estava eu aterrizando no Charles de Gaulle (Paris), por primeira e esperada vez. Já tinha anotado as primeiras emergências em francês e fui direto para a estação de trem. Ainda teria mais umas 4 horas de viagem até meu primeiro destino : Pèrigueux.

Viajando há quase dois dias, chego numa cidade linda e antiga. Muito ao contrário do que muitas pessoas dizem, os franceses são muito simpáticos e prestativos. Eu falava em francês as saudacoes e logo explicava que não sabia falar muito além disso. Todos entendiam e por mais que nessa cidade são poucas as pessoas que falassem o inglês, elas tentavam me ajudar.

Esse torneio teve a premiacao de US$ 25 mil. E uma boa notícia: nos torneios profissinais na França, os arbitros de cadeira só usam o PDA (palm top) para fazerem os jogos. Adeus papel e lápis. Trabalhei bastante, mas devido ao torneio comecar só a tarde, pude fazer turismo pelas manhãs ensolaradas e quentes anunciando o começo de verão por aqui.

Fiz a final de duplas na sexta e sábado já estava a caminho do proximo torneio: Mont de Marsan, mais ao sul e apenas há 3 horas de trem.

Claro que não fui dispensada dos comentários de como a França vai golear o Brasil, que Zidane é melhor que Ronaldinho e que eu choraria na noite de sábado. Ate que isso tudo foi divertido antes do jogo. Assisti a partida direto do clube do torneio e com muita aflição e decepção vi o Brasil perder novamente além de ter que aturar e lamentar minha falência, pois apostaram comigo 3 garrafas de champagne Veuve Clicot!
Un bisu e até a próxima,
Paulinha








