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Na linha, Paulinha! - Fim da saga pelo México

Quinta, 01 de dezembro 2005 às 16:26:29 AMT

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Paula Capulo Mexico II

Por Paula Capulo, árbitra brasileira da ITF

Na segunda edição da coluna Na linha Paulinha! a única árbitra brasileira da ITF (Federação Internacional de Tênis) fala um pouco sobre suas últimas semanas na gira de torneios pelo México, esclarece uma importante regra do tênis e responde perguntas dos internautas. Não percam! E mandem emails à Paulinha!

Paula Capulo


Oi Pessoal,

Primeiramente gostaria muito de agradecer a todos que me mandaram e-mails, essa coluna depende do interesse de vocês.

Finalmente já estou em casa, depois de dez semanas de trabalho no México. As últimas semanas são as mais aliviantes, porque sabemos que já estamos na reta final, mas ao mesmo tempo são complicadas. A maioria das jogadoras já estão lesionadas pelo número de semanas seguidas que jogaram e os árbitros já estão um pouco mais cansados também pelo número de jogos que vamos fazendo nos diversos torneios seguidos.



Paula no sorteio das chaves no Club Alemán, Cidade do México

E agora esse período de férias é merecido, as jogadoras podem se tratar bem e os árbitros podem relaxar para estarem todos prontos pra próxima temporada, que no México já inicia no começo de fevereiro.



Paulinha logo antes de uma partida no Club Irlandés, Cidade do México

Além de responder às perguntas, resolvi falar de situações inusitadas e pouco conhecidas pela maioria das pessoas. Vale destacar uma partida em que atuei válida por um evento Womens Circuit em Ciudad Victoria (distribuindo 25 mil dólares) , disputada sobre quadra rápida. O(a) jogador(a) nunca pode parar o ponto. Quem pára é o arbitro de cadeira ou o juiz de linha, e em torneios com essa premiação não é obrigatório a presença de todos os juizes de linha na quadra. Geralmente trabalhamos com três ou cinco linhas até as semi, depois temos sete. Bom, voltando ao jogo. Uma bola foi muito perto da linha de base, o juiz de linha marcou boa e para mim também tinha sido boa, mas a jogadora disse “out” baixinho, como se a bola tivesse ido fora, e mesmo assim bateu na bola, com a intenção de continuar o ponto. Nesse caso, é marcado um “Hindrance”, ou seja, um impedimento. O "Hindrance" pode ser voluntário ou involuntário. Por exemplo, se a bola cair do bolso do jogador, é um hindrance involuntário, pode-se repetir o ponto. Ele teve culpa, mas não foi proposital. Mas no caso do meu jogo foi um voluntário, ela disse um “out” e como eu já tinha dito, jogador só pode marcar bola em quadra de saibro. A jogadora que disse o “out” perdeu o ponto.

Paula atuando em mais um jogo no Club Alemán, Cidade do México

Espero ter esclarecido uma regra que vocês não conheciam antes. E qualquer duvida, já sabem: Na linha, Paulinha

Um beijo e até mais,

Paulinha


Paulinha Capulo responde aos internautas:

Alô, Paulinha, A uns 4 anos, num torneio challenger em Belo Horizonte, teve um jogador americano (não recordo o nome) que sacava de maneira diferenciada. Ele, após o lançamento da bola, pulava acima de 1/2 metro e sacava no ar, entrado mais de 1,5 metro dentro da quadra após o contato da raquete com a bola. O saque era muito parecido com o saque "viagem", que é muito praticado no vôlei.

Li em uma revista que o saque, no tênis, tem que ser realizado com os pés em uma base fixa, podendo haver movimentos discretos, esta afirmação é verdadeira? O saque do americano era válido? Gostei muito da sua coluna e parabéns pela sua carreira. Desde já, obrigado.

Alexandre Macedo, Belo Horizonte - MG

Oi Alexandre, Obrigada por escrever. Bom, quando o jogador inicia o movimento de saque ele tem que estar com os dois pés atrás da linha de base da quadra, e entre a linha da lateral e da linha imaginaria do centro da quadra. Ele não pode começar o movimento correndo nem caminhando, tem que partir do repouso (ao contrário do saque viagem no vôlei, por exemplo, onde o jogador corre, arremessa a bola pra cima e bate). Depois que a bola já foi arremessada ele pode pular para bater na bola, assim dando mais velocidade e pegando ela mais alta.

Olá Paulinha, Parabéns pela sua nova coluna. Estava mesmo sentindo a falta de um espaço para nos aprofundarmos nas regras do jogo. Minha consulta é a seguinte: tenho um amigo que consegue bater na bola com bastante efeito. Num jogo em que ele usou esta batida, a bola ultrapassou a rede, pingou no campo adversário e, em função do efeito, a bola refez a trajetória sem a intervenção do outro jogador, ou seja, a bola voltou a pingar no campo do primeiro jogador sem ter entrado em contato com a raque do adversário. Como meu amigo não alcançou a bola, ficamos na dúvida de quem devia se creditar deste ponto. Como interpretar a jogada descrita à luz das regras do tênis? Grato pela atenção,

Delphino , Brasília - DF

Oi Delphino, Esse efeito aqui no Brasil chamam de “Mexicana”, e no México não! Nesse caso, o jogador que deveria ter golpeado a bola era o adversário do teu amigo. Se A e B estão jogando, A faz essa bola com efeito, vai pro campo do B e retorna ao campo do A. A vez de jogar agora é do B, e essa é a única jogada que o jogador pode começar o movimento com a raquete dentro do campo adversário. Ele tem que tentar golpear a bola com a raquete do outro lado, mas sem encostar na rede e nem na quadra do adversário, e isso não vale só para o corpo, vale para a roupa ou qualquer coisa que faça parte dele. Se ele tocar, perde o ponto.

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