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Retrospectiva - O ano das esperanças do Brasil

Segunda, 28 de dezembro 2020 às 13:17:45 AMT

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Tênis Profissional

Dando sequência na Retrospectiva de 2020 do tênis, vamos focar no tênis brasileiro neste capítulo em uma temporada àtípica por conta da pandemia, mas que deu esperanças ao tênis brasileiro nas simples e nas duplas.



O destaque principal vai para a paulistana Luisa Stefani, de 23 anos, que já havia largado bem a temporada com o título do WTA 125 de Newport Beach, oitavas de final no Australian Open, apenas seu segundo Major na carreira. Fez um trabalho focado durante a quarentena, treinando na Saddlebrook Academy, na Flórida, disputou torneios de exibição para buscar fundos financeiros e culminou com a conquista do WTA de Lexington, nos EUA, no retorno do tênis, em agosto. O troféu a colocou no top 40 e primeira brasileira dentro desse grupo em três décadas. Ainda fez quartas de final do US Open logo a seguir, semis do Premiere de Roma, na Itália, oitavas de Roland Garros, vice-campeonato no WTA de Estrasburgo, todos com Hayley Carter, e vice do Premiere de Ostrava com a canadense Gabriela Dabrowski, finalizando o ano na 33ª colocação. Mostrou consistência e quebrou paradigmas do tênis feminino brasileiro  se mostrando uma boa aposta para o futuro.

 


Nas duplas, nossos veteranos de sucesso mandaram bem novamente. Antes da pandemia, Marcelo Melo venceu o ATP 500 de Acapulco, no México, e acabou sendo irregular no retorno conquistando o ATP 500 de Viena, na Áustria. Todavia, por mais um ano foi ao ATP Finals, mas terminou sem vitórias. Finalizou no 10º lugar e terá parceiro novo em 2021, o holandês Julien Rojer.
Bruno Soares foi o destaque. Não começou muito bem com o croata Mate Pavic, mas após a quarentena, onde se separou da ex-mulher, foi campeão do US Open, vice-campeão de Roland Garros e terminou como a melhor dupla do ano. Para o ano que vem vai trocar de parceria voltando a atuar com o britânico Jamie Murray.

 


Nossos jovens também mandaram bem nas duplas. Orlando Luz e Rafael Matos derrubaram os colombianos Cabal/Farah, a melhor dupla do mundo, no Rio Open e foram vice-campeões no challenger de Guadajara. Felipe Meligeni venceu os challengers de São Paulo e Guayaquil, no Equador. Os três se colocaram perto do top 100. Fernando Romboli disputou os ATPs sul-americanos no começo do ano, se meteu no top 100 e termina 2020 bem próximo. Ainda nas duplas, Marcelo Demoliner venceu o torneio de Córdoba, na Argentina, antes da pandemia e se manteve no top 50.


Nas simples o grande momento foi a conquista de Thiago Wild no ATP 250 de Santiago, no Chile, onde já vinha com oitavas e grande desempenho no Rio Open na semana anterior. Justo na última semana antes da pandemia, brilhou nas quadras chilenas fazendo valer a mística brasileira na cidade onde a cada 10 anos fazemos um campeão - Gustavo Kuerten em 2000 e Thomaz Bellucci em 2010. Derrubou nomes como Cristian Garin, campeão do Rio Open na semana anterior, e na final o favorito Casper Ruud, em três sets. O mais jovem brasileiro campeão de um ATP superando a marca de Guga de 1997. Acabou se envolvendo em polêmica e foi parar nas páginas policiais em sua cidade Marechal Candido Rondon (PR) onde enfrenta processo na justiça por descumprir normais da quarentena. No retorno às quadras só venceu jogos em um torneio, no forte challenger de Aix-en-Provence, na França. Chegou perto do top 100 e finaliza como o 116º, perto de 100 posições acima da tabela do fim de 2019. Terminou o ano com sete derrotas seguidas, mas promessa de arrancada no futuro.

 


Se Thiago não foi bem no fim de ano, Felipe Meligeni foi a estrela nacional. Conquistou o título do challenger de São Paulo e fez semi em Campinas subindo 70 posições e fechando no 231º lugar. Começou 2020 apenas como o 391º e já poderá disputar seu primeiro quali de Slam, no Australian Open. Ele ainda mandou bem no Rio Open tirando um set de Dominic Thiem, então quarto do mundo e vice-campeão do Australian Open.
Thiago Monteiro acumulou uma subida discreta de cinco posições saltando do 89º ao 84º lugar, mas teve bons resultados e desempenhos. Deu calor em John Isner no Australian Open, fez terceira rodada em Roland Garros, seu melhhor resultado em um Slam na carreira, foi campeão no challenger de Punta del Este, no Uruguai, e vice em Forli, na Itália. Ainda fez quartas em Santiago e Buenos Aires, dois ATPs. 

 


No feminino, Bia Maia foi o destaque. Voltou da suspensão do doping após a quarentena e engatou quatro títulos com cinco finais em seis torneios em Portugal e saltou direto para perto do top 350. Terminou com uma lesão na mão, mas já faz sua pré-temporada.

 

Carol Meligeni teve um término de ano muito bom com dois títulos em três semanas no Egito, ranking entre as 370 melhores e um começo de ano bom onde venceu todos os seus jogos na Fed Cup ajudando e muito o Brasil para disputar os playoffs do Grupo Mundial da agora chamada Billie Jean Cup, contra a Polônia, fora de casa, confronto que será disputado em 2021. 

 


Ingrid Martins também finaliza com o melhor ranking com final em Portugal, uma semi, entre as 500 melhores e com bom futuro. A notícia chata é a aposentadoria de Teliana Pereira após uma série de lesões. Uma grande perda para nosso tênis. Outra que deixou o esporte foi Paula Gonçalves.
A temporada teve grande impacto em vários de nossos jovens por conta da crise financeira. A Confederação Brasileira de Tênis deu o seu apoio colocando um Centro de Treinamento Nacional no Itamirim Clube de Campo com a ADK Tennis durante junho/julho onde passaram por lá Thiago Monteiro, Bia Maia, Felipe Meligeni, Orlando Luz, João Menezes, entre outros, treinando todos juntos para a retomada. Ainda realizou torneios do Circuito BRB durante novembro ofertando grande quantidade de dinheiro para que nossos atletas pudessem garantir seu sustento após paralisação superior a três meses do circuito. Ainda viabilizou a ida de vários tenistas para a Europa diante do escasso calendário e junto com o COB levou alguns atletas para Rio Maior, em Portugal, para um período de treinamentos em conjunto com a quarentena. 

 

As notícias negativas foram a extinção do Brasil Open em 2020 e o adiamento/cancelamento do Rio Open para 2021. De alento, serve a possibilidade de um circuito challenger na América do Sul com 12 eventos, mas não se sabe quantos em terras nacionais e quando.

 

Comparativo Ranking Brasileiros ao fim de 2019 e fim de 2020:

 

Masculino:

 

Thiago Monteiro 84º (+5)

Thiago Wild 116º (+95)

João Menezes 194º (-5)

Felipe Meligeni 231º (+160)

Guilherme Clezar 271º (+58)

Thomaz Bellucci 281º (+38)

Pedro Sakamoto 290º (+18)

Orlando Luz 308º (-8)

Oscar Gutierrez 404º (-25)

Rogério Silva 449º (-213)

Bruno Santanna 453º (-52)

Rafael Matos 510º (-37)

 

Duplas

 

Bruno Soares 7º (+14)

Marcelo Melo 10º (-3)

Marcelo Demoliner 44º (+1)

Fernando Romboli 107º (-3)

Felipe Meligeni 120º (+58)

Orlando Luz 123º (+19)

Rafael Matos 139º (+68) 

 

 

Feminino

 

Gabriela Cé 239ª (-6)

Bia Maia 359ª (-238)   

Carol Meligeni 368ª (+28)

Teliana Peereira 383ª (-10)

Laura Pigossi 393ª (+3)

Thaisa Pedretti 401ª (-1)

Paula Gonçalves 468ª (-27)

Ingrid Martins 499ª (+289)

Nathaly Kurata 522ª (+5) 

 

Duplas

 

Luisa Stefani 33ª (+42)

Laura Pigossi 153ª (-12)

Carol Meligeni 224ª (-4)

 

 

 

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