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Há 14 anos acontecia o Federer x Nadal que abriu a 'Era de Ouro' do tênis

Sexta, 15 de maio 2020 às 11:03:07 AMT

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Tênis Profissional

Por Ariane Ferreira - Em 15 de maio de 2006 o mundo do tênis viu a quadra central do Foro Itálico testemunhar o nascimento da chamada 'Era de Ouro' do tênis masculino com a histórica batalha entre Roger Federer e Rafael Nadal na final do torneio.



Em 2006, a nomenclatura para o torneio de Roma era 'Masters Cup', mas a configuração era semelhante ao que hoje é chamado Masters 1000, com grande distribuição de pontos, premiação, principalmente ao campeão, e no segundo escalão de importância dos torneios, abaixo apenas dos Grand Slams. À época, a chave da competição era realizada com partidas em melhor de três sets, mas a grande final sempre em cinco sets, no masculino.

 

O palco para a abertura de tal Era não poderia deixar de ser um dos complexos de quadras mais bonitos do mundo, o Foro Itálico. Que é uma construção da década de 1930, feito sob pedido do ex-primeiro ministro do país e comandante da Itália fascista, Benito Mussolini. A inspiração arquitetônica do espaço é o Forum Romano, que por século foi centro da vida cultural, jurídica e 'esportiva' (recebia batalha de gladiadores) do Império Romano.

 

Em quadra, os números 1 e 2 do mundo, respectivamente, Federer e Nadal, iriam se enfrentar pela sexta no circuito, a terceira vez apenas naquela ano. Partidas essas que foram as finais de Dubai e Monte Carlo, ambas vencidas pelo espanhol.

 

Mesmo com os reveses diante de Nadal, Federer tinha um bem sucedido 2006, com títulos em Doha, Australian Open e das duas Masters Cup americanas, Indian Wells e Miami. Porém, perseguia seu primeiro título em Roma. Já Nadal, era o atual campeão do torneio romano, vindo de uma vitória tensa e histórica contra o argentino Guillermo Coria no ano anterior. Em 2006, o espanhol acumulava os dois títulos sobre Federer e mais o título em Barcelona.

 

A rivalidade entre Federer e Nadal crescia nos textos de imprensa da época, já que o imbatível número 1, então com 24 anos, encontrava sérias dificuldades de superar o "menino" de 19 anos. Mas foi em quadra que o suíço demonstrou que já reconhecia em Nadal um de seus principais obstáculos para dominar por completo o circuito masculino.

 

O jogo foi intenso, disputado, com a necessidade de a cada ponto disputado os tenistas revelassem o melhor de si, buscando a falha do rival ou o melhor de si diante do melhor do outro. Pontos que ficaram na memória e coração de fãs do esporte, independente de para quem torceram naquele dia. 


A grande maioria dos 353 pontos disputados naquela final estão vívidos na memória coletiva do tênis. Confira uma copilação deles:

 

 

A partida terminou com Nadal vencedor em um disputado, intenso e emocionante, mesmo tendo vencido 174 pontos no jogo contra 179 do suíço, e fechado o placar 6/7 (0) 7/6 (5) 6/4 2/6 7/6 (5) em 5h05 minutos. O que faz dela uma das mais longas partidas de tênis da história. Nas estatísticas de hoje, é a 41º partida mais longa e foi nove minutos "mais rápida" que a final do ano anterior.

 

Ao fim do jogo, durante a cerimônia de entrega dos troféus, o então diretor do torneio italiano, Sergio Palmieri, resumiu o sentimento dos presentes ao Foro Itálico: "Este é um dia que eu jamais vou esquecer. O que realmente me impressionou foi o tamanho do respeito entre esses dois caras. A intensidade dessa partida foi realmente inacreditável". 

 

Com a vitória, Nadal bateu o recorde, de quase três décadas, do argentino Guillermo Vilas que ficou 53 partidas consecutivas sem perder no saibro e ainda somaria mais sete vitórias com o título em Roland Garros, batendo Federer em mais uma final. Nadal seguiu invicto no saibro por 80 partidas, tendo vencido 19 partidas no piso em 2007, acumulando os títulos em Monte Carlo, Barcelona e Roma, perdendo justamente de Federer na grande final da Masters Cup de Hamburgo, na Alemanha.

 

Federer, por sua vez, não amargou as derrotas para Nadal e posteriormente as derrotas em Roma e Roland Garros conquistou 8 títulos: Halle, Wimbledon, Masters do Canadá, US Open, Tóquio, Masters de Madri (àquela época disputado no piso rápido), Basileia e a Tennis Masters Cup - equivalente ao atual ATP Finals. De quebra, o suíço fechou pelo terceiro ano consecutivo, a temporada como número 1 do mundo, feito que viria repetir em 2007 e apenas seria desbancado pelo espanhol em 2008.

 

Após a partida, a imprensa especializada decretou o início de uma "Era de Ouro' do tênis, que ficou alguns anos carente de uma grande rivalidade desde Pete Sampras e Andre Agassi na década de 1990.

 

Se for for assinante da Tennis TV, pode assistir a partida completa no link.

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