No mais recente episódio do podcast New Balls Please com o ex-tenista Fernando Meligeni e o jornalista Fernando Nardini, a dupla falou, dentre outros temas do comportamento inadequado da torcida, em especial a brasileira.
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Nardini questionou Meligeni com base nos comentários vistos nas redes sociais a respeito da grande final em Wimbledon no último domingo em que o italiano Jannik Sinner venceu o espanhol Carlos Alcaraz.
“Olhando às réplicas dos seus posts, dos nossos aqui no New Balls Please do resultado e tal; já começou essa guerrinha de um lado para Sinner e outro para Alcaraz, dizendo que o Sinner é drogado, dopado...; outro dizendo que o Alcaraz é presepeiro, moleque, vai para Ibiza, que se acha, máscarado e que fica fazendo assim [mão no ouvido para escutar o público]…”, iniciou Nardini apontando na sequência que o Big 3 (Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic) passou e que com eles tanto o italiano quanto o espanhol aprenderam.
“(Eles) Aprenderam perfeitamente a lição do Big 3 de que um é importante para outro, um puxa o outro, um agradece ao outro pela relação e rivalidade que eles têm. Eles aprenderam, mas muito torcedores não aprenderam nada com isso, continua na história do fla-flu, do que tem que odiar um para gostar do outro, em vez de aproveitar o que esses caras estão fazendo”, completou.
“É… e acaba prejudicando a própria história”, inicia Meligeni. “Manchando a história da Bia (Haddad), enchendo o saco do João Fonseca quando não tem que entrar. Porque essa história do futebol também acabou. Aquela história que eu posso ir ao estádio e falar o que eu quiser, também já acabou. Porque antes você ia ao estádio apenas xingar o juíz, hoje você toma cuidado com o que vai xingar, você pode soltar um palavrão, mas toma cuidado com o você vai falar, pois tem uma câmera que vai te pegar”, seguiu.
“Quando que a gente vai aprender como ser humano, que a gente pode não gostar dessa ou daquela; a gente pode ser direita ou esquerda; religioso pra cá ou pra lá; fla-flu no futebol ou Alcaraz ou Sinner, Djokovic… só que o mínimo tem que ter. Será que a gente vai precisar entrar em um limite para isso?”, indagou o ex-tenista.
“Quer um cara mais competitivo que o Djokovic? Você já viu ele falar uma vírgula dos caras? Ele está sendo tirado do circuito. E aí, eu posso falar com uma facilidade grande, porque eu tirei um monte de gente do circuito, do númeo 1 do Brasil e fui tirado pelo Guga, fui escanteado pelo Guga. Cara, o tempo inteiro a gente é escanteado e mexe no ego da gente, mexe no brio e você fala: ‘ah… moleque!'”.
“Você acha que quando o Guga apareceu e ganhou de mim em Campinas em 1996… Eu queria morrer. Àquele vestiário, o Pardal (Ricardo Acioly) poderia sentar um dia aqui e contar a história, melhor do que eu. Eu perdi em um Challenger, nas quartas de final, e de um ‘moleque', que estava já me tirando. Para o ego da gente é uma dor absurda. É você ser tirado do jogo tal… é (acontece) com todo mundo. É duro e o Djoko está fazendo o quê? Aplaudindo”, pontuou.
“Aí o cara igual o Sinner, perdeu a final, aplaude. ‘Vamos para a segunda-feira'. Vem o outro Slam e ‘pau' (vence). Aí vem a descabeçada ou o descabeçado falando atrocidades, entrando na internet (perfis) das pessoas”, destaca.
Fernando Meligeni aponta que é necessário falar sobre esta agessividade nas redes, porque no seu perfil ele consegue rebater e bloquear, mas nem todo mundo consegue: “Aí o (Alexander) Zverev está sofrendo. 80% dos tenistas estão sofrendo. ‘Ah mas tem que aceita!'. Não tem que aceitar não! Porque um farmacêutico, se tomar muita porrada, na hora de fazer o seu trabalho, vai fazer mal” e seguiu dando exemplo de narradores que são criticados e pediu coerência das pessoas.
Confira o episódio 59 do podcast New Balls Please:









