Durante o New Balls Please desta semana, o ex-top 25 do mundo, Fernando Meligeni, fez uma reflexão sobre a evolução de João Fonseca na temporada de grama e seu lugar no tênis brasileiro.
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Meligeni comenta momento de Bia Haddad
Ao lado do jornalista e apresentador Fernando Nardini, Meligeni destacou a evolução de João Fonseca durante a temporada de grama e especialmente em Wimbledon.
“O que eu gostei muito do João em Wimbledon: vínhamos cobrando, dentro do possível, para encontrar melhor devolução, usar mais slice, ter mais paciência, sacar melhor. E se você olhar a campanha dele, ele sacou muito bem. Ele usou bastante o slice, mexeu bastante a bola, parou de querer dar muita porrada de esquerda. Deu pra perceber que ele joga muito bem nas quadras rápidas. Tem um pouco menos de tempo pra pensar. Ele fez uma campanha muito sólida, pegou o Jarry que já sabíamos que era complicado. Soube lidar com a maneira do Brooksby de jogar, fez um jogo muito bom. Me chamou muito atenção isso: o João amadureceu em certas coisas. Perdeu os dois primeiros sets e ficou no jogo, reclamou menos”, disse ‘Fino'.
Falas de Ivanisevic e lugar de João no tênis brasileiro
Ivanisevic falou das qualidades do jovem tenista brasileiro, que tem bons golpes e tem tempo para evoluir, e será campeão de Grand Slam, segundo o croata. Meligeni acredita neste potencial, mas faz reflexão:
“É o que a gente sempre fala, temos a projeção e a verdade. Já tivemos muitos casos de caras que poderiam e não foram. Mesmo que o João não seja tudo que ele quer ser, ele já foi muito bom. Tem terceira rodada em dois Grand Slams, coisa que poucos brasileiros tem. Ganhar ATP, poucos brasileiros ganharam. A referência são os brasileiros – Guga, Jaime Oncims, eu, Bellucci, Thomaz Koch. Ele ainda não passou alguns, é 50 do mundo, e ninguém está se comparando, mas ele já tem um lugar alto no tênis brasileiro. O João pode ser número 1, campeão de Grand Slam, mas ninguém tem essa certeza, Hoje, ele é um cara absurdo, pra 18 anos, 50 do mundo, é um absurdo. Ele vai ser maior que o Guga? Não temos a menor ideia. O próprio Guga fala isso. Ele pode ganhar 20 Grand Sams ou nenhum, é um ponto que eu falo: calma. Tem que abdicar de muita coisa pra ser um top, será que ele tem estômago pra isso? E por quanto tempo? Hoje é tudo novidade, mas daqui uns 2 anos, quando estiver lá em cima, tomando porrada a cada derrota, aí você tem que mostrar que você quer mais do que qualquer coisa; tomara que ele tenha esse estômago.”
A influência das Redes Sociais
Nardini comenta sobre as pausas no calendário de torneios e a blindagem de Fonseca das redes sociais durante os torneios e cita fala de Djokovic sobre o tema, que os mais jovens entram num ciclo de pressão constante. Meligeni comenta:
“Hoje, o que os tenistas têm para se distrair? Na época do Guga, ele andava em Paris tranquilo. Hoje, um cara como o João já não anda mais na rua. O que ele tem no tempo livre? O celular. O que ele faz no celular, é problema dele, ele faz o que ele quer. O que a gente fazia na rua, eles estão fazendo no celular, está mais difícil sair na rua. Se ele vai no cinema, vai ter que tirar 50 fotos. Eu entendo a fala do Djokovic, mas ele veio da outra geração, onde saía na rua e fazia o que queria, hoje ele já vive essa outra geração. A convivência com o Guga me deu muita noção sobre isso. Na época, nem todo mundo tinha uma câmera, hoje todo mundo tem. Não sou contra os fãs, mas qualquer ser humano quer ‘brincar de gasparzinho', fazer o que quiser na rua. Isso é o ônus e o bônus, eu sei, mas tem hora que ele precisa respirar, esquecer que ele é ‘o João', como fazem os presidentes de empresas, por exemplo.”
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