Fernando Meligeni, semifinalista de Roland Garros em 1999, analisou a derrota de João Fonseca para Alexander Zverev, terceiro do mundo, nesta sexta-feira por apertados 7/5 6/7 (7/3) 6/3 após 2h40min de batalha nas quartas de final de Monte Carlo.
“Intensidade, soltura e uma pitada de escolher melhor.
Até o meio do segundo set, vi um João muito convicto na sua forma de jogar, que, para mim, não o levaria à vitória neste momento. Ao mudar algumas peças e perceber o “jogo indo embora”, ele se soltou mais, fez a bola andar melhor e com mais qualidade.
Fiquei pensando no quão complexo é este esporte. Jogando para o mundo, é óbvio que temos que jogar pelo resultado. Mas, às vezes, esse caminho mais natural é justamente o que vai te fazer percorrer muitos quilômetros.
Explico: hoje era um dia para jogar no meio-termo. Ser agressivo, mas fazer o Zverev jogar todos os pontos. Vender caro cada saque.
Em vez disso, decidiu jogar na pancadaria, no jogo frontal. O jogo acontecia e ficava claro que o alemão estava confortável; o brasileiro, nem tanto.
Acredito que, daqui a um ano, ele vai poder jogar assim e ganhar ou ser protagonista. Mas hoje, ainda acredito que não.
Aí vem a pergunta: jogar com a personalidade embaixo do braço e que se lixe o mundo, ou jogar para ganhar e ser ainda mais competitivo do que já é?
Pode parecer uma resposta básica para você, mas não é. Um futuro, uma grande confiança, uma carreira estão em jogo.
A partir do meio do segundo set, ele foi para a bola e jogou demais, mas parecia que a tática tinha prazo de validade. O pecado, na minha visão, foi exagerar e modular pouco. Mas é preciso dizer também que o Zverev jogou uma grande partida e mereceu vencer. Ainda há uma distância a percorrer, não para ganhar um ou outro jogo dele, mas para ser melhor e merecer a vitória.
Fica a experiência e a certeza de que ele está evoluindo muito rápido.
Parabéns, João”, finalizou Meligeni em sua conta no Instagram.









