A decisão do juvenil Mustafa Ege Sik, de 16 anos, de defender o país de origem da sua família, a Turquia, gerou grande polêmica na Austrália, e os fãs protestaram contra o programa de formação de tenistas da federação local, a Tennis Australia (TA).
Nascido, de acordo com informações da TA, na Austrália, Ege Sik é um dos tenistas que faziam parte do programa de formação de tenistas de elite da federação que comanda o primeiro Grand Slam do ano.
O Australian Open foi, inclusive, a primeira oportunidade de Ege Sik de jogar em Slam na chave juvenil para o qual recebeu convite para a disputa de duplas em 2025.
Mustafa Ege Sik conquistou nos últimos 3 anos, cinco títulos em nível ITF do cicuito juvenil, dois deles este ano ao lado do turco de nascimento Kaan Isak Kosaner, com quem ainda venceu seu primeiro título juvenil na disputa em Antalya (Turquia) em 2022.
Ege Sik não tem conquistas até o momento no circuito juvenil em simples e já está em transição para o circuito profissional, por isso, optou por defender o país europeu-asiático. O público australiano não reagiu bem; e em publicações da Tennis Australia nas redes sociais, os fãs do esporte no país pedem uma revisão do sistema de incentivo e apoio a juvenis, bem como do programa de formação de tenistas.
Um usuário até utilizou uma declaração antiga do ex-tenista australiano Pat Cash de que o programa de formação da Tennis Australia “formava modelos” para justificar sua crítica. O perfil do podcast australiano First Serve copilou os comentários ‘mais educados' com as críticas.
Mustafa Ege Sik tem passado grande parte do seu tempo ultimamente na Turquia, que é conhecida por sua forte estrutura de torneios em nível ITF em quase toda a temporada. A federação turca tem investido nos últimos anos em atletas pré-selecionados e com potencial de ser top 100 profissional, perfil para o qual Ege Sik foi identificado ainda aos 14 anos.
A federação turca ainda tem investido em programa de formação de treinadores e busca por conselheiros técnicos para os principais nomes do país, como é o caso da top 100, Zeynep Sonmez, que conta com apoio financeiro de sua federação e tem a tunisiana Ons Jabeur como ‘conselheira' técnica, enquanto Jabeur está afastada do circuito com licença-maternidade.
O plano da federação turca é ‘não perder o bonde' regional com a ascensão dos programas do Qatar e dos Emirados Árabes Unidos em ser polo de competições de elite e de formação futura de médio prazo de bons tenistas.
País de migrantes, com representantes migrantes
Mustafa Ege Sik não seria nem o primeiro, nem o último tenista representando a Austrália, tendo a origem de sua família em outro país. De Mark Philippoussis, ex-top 8 nascido em Melbourne em uma família grega, a Nick Kyrgios, que também é de ascendência grega, muitos atletas homens e mulheres têm origem em famílias migrantes ou mesmo nasceram em outros países.
Entre as 20 melhores tenistas da Austrália na atualidade, três nasceram em outros países, são elas: Daia Kasatkina (nasceu na Rússia); Ajla Tomjlanovic (Croácia); e Arina Rodionova (Rússia); e outras nove são australianas filhas de casais migrantes, são elas: Priscilla Hon (pais naturais de Hong Kong); Olivia Gadecki (Polônia); Astra Sharma (pai indiano e mãe singapurense); Lizette Cabrerra (Filipinas); Elena Micic (Sérvia); Alana Subasic (Bósnia e Herzegovina); Destanee Aiava (pai neozelandês e mãe da Samoa Americana); Tahlia Kokkinis (Grécia); Sarah Rousek (República Tcheca).
Entre os homens a situação não é diferente, a principal estrela do tênis do país nos últimos anos e primeiro tenista desde Lleyton Hewitt a alcançar o top 10 da ATP, Alex de Minaur nasceu na Austrália, filho de um uruguaio (Anibal de Minaur) e de uma espanhola (Esther). Já os pais do número 2 do país, Alexei Popyrin (Alex e Elena) são russos. Tal como o número 4 do país, Aleksandar Vukic, filho de pai (Rad) sérvio e mãe (Ljiliana) montenegrina.
Além de três dos quatro top 100 australianos serem filhos de migrantes, o top 20 do país é completo por seis tenistas filhos de migrantes, são eles: Hinky Hijikata (Japão); James McCabe (pai Irlandês e mãe filipina); Jason Kubler (pai australiano e mãe filipina); Li Tu (China); Philip Sekulic (Croácia); e Moerani Bouzige (pai francês e mãe taiti); E outros dois nascidos em outros países, caso de Bernard Tomic (filho de croatas nascido na Alemanha); Marc Polmans (África do Sul)









