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Coria relembra momentos da carreira, elogia brasileiros e fala de futuro.

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Por Fabrizio Gallas – O argentino Guillermo Coria, ex-top 3, vice-campeão em 2004, bateu papo com nossa reportagem e relembrou a carreira, falou do momento do tênis no seu país, dos amigos brasileiros e até deu conselhos a Bellucci.

Foto: El Mago Coria celebrando a vitória na final do Masters Series de Monte Carlo, 2004, depois de bater o alemão Raner Schuettler.

 

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TN: Dada toda a situação da Copa Davis, a rivalidade. você viu o confronto e como era a relação com os brasileiros no ?

 

Coria: No meu caso, não vejo o Brasil como um rival, como acontece no Com os jogadores brasileiros compartilhamos o circuito por muito tempo, (eles) são sempre pessoas bacanas, muito amáveis, boa gente mesmo. 

 

Acredito que tenha havido um problema no último dia. Ao que me parece, (os brasileiros – jogadores e ) não ficaram ”confortáveis”, o que é uma pena, pois, estava uma eliminatória tranquila, aquém da rivalidade dos dois países.

 

No entanto, entre os jogadores sempre há uma boa relação. Como jogador nunca tive problema. Guga (Kuerten) para mim era um ídolo, então, estava sempre próximo a ele, o convidava para treinar nos torneios e tudo mais. Tem (Flavio) Saretta, uma grande pessoa. (André) Sá, que na verdade é incrível, (Bruno) Soares,  (Marcelo)Melo, Ricardo Mello … um monte de jogadores… todos sempre foram muito tranquilos, de muita paz, pessoas muito boas.

 

TN: Recordo-me de que você jogou uma final de Brasil Open contra o Guga no Sauípe¹. Como foi?

 

Coria: Foi em 2002, jogo difícil. A torcida estava muito eufórica, claro, com o Guga jogando em casa. Foi um jogo importante, mas eu não tive problemas com torcedores não. Foi um jogo muito importante.

 

TN: Ainda falando de brasileiro você elogiou a performance do (João) Souza (clique aqui e leia), mas eu queria sua

opinião sobre nossa equipe. Sobre (Thomaz) Bellucci, que é muito criticado no Brasil?

 

Coria: Pensando no que vi na Copa Davis, da parte dele (Bellucci) foram muitos erros em jogo. (Ele) tem muito talento. Ele tem um potencial muito importante, a ele falta apenas ganhar um pouco de confiança e ter um modo de jogo. Uma tática, uma estratégia, saber como armar e definir o e não cometer tantos erros seguidos, o que mina a confiança. Porque quando você enfrenta jogadores com boa confiança e que são muito sólidos eles vão te meter três, quatro, cinco bolas e é preciso estar tranquilo. (Bellucci) precisa diminuir esses erros seguidos.

 

Ele, com Souza e com essa dupla muito forte, jogar com o Brasil vai ser muito difícil, principalmente se for no Brasil. Vai ser uma equipe difícil de ser batida.

 

Agora, sobre Thomaz Bellucci, se ele ganha a confiança que disse antes e acerta alguns pontos destes erros, pra mim é um jogador que gosto muitíssimo. Gosto do seu estilo de jogo. Até porque o vejo com um jogo importante para estar entre os 30 melhores do mundo e ali ficar por muito tempo.

 

TN: Vamos falar um pouco sobre você. O que você tem feito? Com o que está trabalhando?

Coria: Estou em Rosário (Argentina). Aqui comprei um terreno bem grande, organizei uma academia com quadras no saibro e no cimento². Temos muitos jogadores juvenis e profissionais. Alguns muito bons. Estou trabalhando com esses jogadores e algumas vezes os acompanhando em torneios. Estou muito de estar perto dos jogadores.

 

O bom daqui é que temos a estrutura de treino, mas Rosário não é tão perigosa quanto Buenos Aires, então fica mais fácil para as crianças poderem sair de suas cidades ou países e se juntar à equipe aqui. É mais seguro, eles podem ir estudar e vir treinar. Muitos fazem treinos em dois períodos.

 

TN: E quantos jogadores você tem na sua academia?

 

Coria: São uns ou 60.

 

TN: E você participa ativamente dos treinos?

 

Coria: Sim, estou sempre aqui e próximo deles. Gosto de, às vezes, ir a torneios, ver como eles competem e se comportam em competição. Tenho experiência para transmitir.

 

Estou aqui, com todos os profissionais. A eles passo minha experiência como jogador. Nem todos vão ser ( profissionais). É muito difícil ser jogador, mas é também muito bonito. Por isso, quero seguir com as crianças e poder transmitir toda a experiência, porque como jogador tive momentos bons e difíceis e eles precisam conhecer isso.

 

TN: Conta pra gente sobre seu irmão (Federico Coria). Como ele está no momento, ele treina aí com você? Como você vê o futuro pra ele no tênis?

 

Coria: Ele treina em Buenos Aires e está em, muito feliz. Agora tem jogado contra muitos brasileiros. Meu irmão está bem, tem um bom potencial, mas precisa se manter sólido, vencer para poder viajar para fora da Argentina, mas é difícil até por causa do dólar e da situação econômica. Tomara que ele possa realizar todos os seus sonhos. Ele tem jogado alguns Futures, acumulado bons resultados em Challengers. Ele tem que seguir trabalhando para estar mais acima.

 

O que conta é que ele precisa ter um pouco mais de confiança em si e se esquecer o que seu irmão fez. Isso não é fácil de controlar. Afinal, há sempre quem compare e isso não . O ajuda é que ele tenha resultados para manter sua carreira.

 

Além deste aspecto, não é fácil conseguir patrocínio. Quando ele vai conversar com alguma empresa sempre se entra no tema de ser meu irmão, e eles (patrocinadores) não percebem que isso não é um tema de família, criar esse vínculo familiar pode trazer algum problema. (Patrocínio) é um tema econômico e não como guiam. O que tento é sempre dar conselhos e estar muito próximo dele, porque é meu irmão e eu o amo. Fazemos o melhor possível.

 

TN: Como você vê o futuro do tênis argentino?

 

Coria: Hoje temos a categoria sub 14 com bons jogadores e que é muito disputada. Dificilmente teremos uma geração como a qual fiz parte (La Legion). Mas hoje temos Juan Martín Del Potro como nosso número um e isso motiva muitas crianças, que vão trabalhando duro para que no dia de amanhã possam ser um ‘Del Potro'.

 

 

TN: Você olha para trás, toda essa experiência, toda a carreira. O que você podia ter conquistado ou feito que lhe escapou? Se houve algo.

 

Coria: Eu podia ter vencido Roland Garros³, disputado mais eliminatórias de Copa Davis (jogou apenas quatro eliminatórias). Me faltou jogar uma Olimpíada, que era meu . Também conquistei coisas muito importantes como jogar três vezes a Copa dos Maestros (hoje Finals), ganhado torneios importantes como Monte Carlo (2004) e Hamburgo (2003 na época Masters Series – equivalente ao Masters 1000). Perdi aquela final em Roma (2005) após jogar 5h contra o (Rafael) . Sinto muito feliz com tudo o que conquistei, com o ranking em que cheguei (terceiro), porque não é fácil jogar o tênis.

 

TN: Você pode comentar um pouco destes dois jogos que citou?

 

Coria: A final em Roland Garros tive dois e não consegui fazer o ponto final. Cometi erros. Um deles foi por cinco centímetros. Acho que não era a hora ou eu não devia ter vencido Roland Garros. Porque eu fiz todo o possível para ganhar. Lutei até o último ponto e podia ser aquele momento, mas não tive a sorte de ganhar, foi muito doloroso…

 

TN: Ainda te dói essa derrota?

 

Coria: (Sem titubear) Não! Não! Lamento por não ter vencido um torneio tão importante. Mas não olho pra trás como se fosse uma coisa ruim na minha carreira. Vejo como uma oportunidade que tive e não soube aproveitar. E ele (Gastón Gaudio) me ganhou naquele momento, porque sem dú, como mostrou, foi (ali) melhor jogador que eu.

 

TN: Você aponta alguma gira do circuito ou torneio onde você se sentia e jogava melhor?

 

Coria: Talvez Hamburgo e Monte Carlo. Sobretudo em Mônaco, onde ganhei, fiz final, semifinal e ia sempre bem lá. Hamburgo também ganhei e fiz final. As vezes acontece de você se dar melhor em um lugar, gosta do hotel, das pessoas. Até hoje em dia sinto falta destes lugares onde fui muito feliz.

 

Notas:

1 – Guga venceu a final do Brasil Open 2002 por 6/7(4) 7/5 7/6(2)

2 – Há três anos, El Mago fundou a Coria , sua academia, hoje entre as 10 maiores da Argentina, focad no desenvolvimento de atletas e estrutura de europeias com residência, parceria escolar, psicólogos, médicos e treinadores.  

3 – Coria perdeu a final em Roland Garros 2004 para o compatriota Gastón Gaudio em uma das maiores viradas da história do torneio pelo placar de 0/6 3/6 6/4 6/1 8/6.

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