O francês Guilles Cervara, ex-treinador por 8 anos do russo Daniil Medvedev, concedeu uma entrevista ao jornal L'Equipe para comentar o rompimento entre os espanhóis Carlos Alcaraz e Juan Carlos Ferrero. Vindo de separação semelhante, Cervara afirma que mudanças nem sempre são ruins e pede tempo.
Cervara rompeu a parceria de 8 anos com Medvedev após o último US Open em agosto e à época, apesar da surpresa do mundo do tênis, afirmou que era o que ambos precisavam, uma mudança. A mudança deu certo, enquanto Cervara se recolheu para estar apto a um novo projeto, Medvedev reestruturou sua equipe e reencontrou as vitórias com boas campanhas nos torneios asiáticos.
Com esse histórico recente e bem-sucedido, Cervara atendeu ao L'Equipe direto de Jeddah, na Arábia Saudita, onde acompanha seu novo pupilo, o americano Nishesh Basavareddy, na disputa do NextGen Finals.
O jornal abre a breve conversa perguntando se ele consegue entender porque um jogador como Alcaraz que vem de sua melhor temporada da carreira com oito títulos dos quais dois foram Grand Slams e númerro 1 do mundo e decide romper com o treinador, Cervara explicou:
“Percebi que esses campeões conseguem sentir quando precisam de algo diferente, ou mais, para continuar progredindo. E se for esse o caso, é muito inteligente da parte do Carlos continuar melhorando”, iniciou ele afirmando que tanto jogador quanto treinador precisam ter um olhar para a mudança com antecedência, “antes que não seja tarde demais”.
“Agora, só o tempo dirá se essa decisão se manterá. Nada nos impede de pensar que ele possa trazer o Juan
(Carlos Ferrero) de volta se ele estiver vencendo menos”, destaca.
Guille Cervara explica que são muito comuns desgastes nas formações das equipes, principalmente após dois anos, pois quando se chega no terceiro ano “parece que há muito tempo” juntos. Ele ainda explica que os desgastes fazem diferença, em especial no mais alto nível – onde estão Alcaraz e Medvedev, campeão do US Open 2021 e ex-número 1 do mundo. Cervara afirma: neste nível o que resulta é a “soma dos pequenos detalhes”.
Por fim, Cervara foi questionado se existe um ponto exato em que o desafio perde força diante de treinador e jogador: “Como treinador, você está constantemente buscando um equilíbrio entre fazer o que sabe que funciona com um determinado jogador porque o conhece perfeitamente e buscar algo novo. E, às vezes, isso já não basta, porque o jogador sente que precisa de uma mudança de ritmo”.
“De fora (da equipe), muitas vezes tememos a mudança, mas, de dentro, ela pode ser necessária. Ninguém está realmente dentro do que acontece na equipe, então é impossível falar sobre isso quando você não sabe. A mudança não é necessariamente ruim; ela traz coisas novas”, finalizou.









