Estreia difícil. Adversário desconhecido, sem pressão, variando o jogo, dando curtas, lembrando em alguns momentos até Benoit Paire e com torcida a favor. Some aí as dúvidas diante de incômodo no punho e nenhuma vitória nas últimas quase cinco semanas.
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Diante deste cenário, onde entrava como franco favorito, a vitória deste domingo tem um peso enorme para João Fonseca. O primeiro set foi um resumo desse momento. Tenso, disputado, jogando bem abaixo de seu nível, tendo que salvar quebra abaixo e set-point contra no tie-break. Fonseca superou, melhorou um pouco nos sets seguintes e foi o suficiente para evitar mais sofrimento.
Jogou mal no geral e como o próprio admitiu, mas venceu. É isso que importa e é isso que um tenista precisa. Vitórias como esta, na dureza, no sacrifício, dão confiança e acalmam. Ainda mais em um torneio tão importante como é Roland Garros.
A segunda rodada é um obstáculo ainda maior, mas vejo com bons olhos o duelo contra Dino Prizmic. Vejo como um duelo bem 50 a 50 podendo ser decidido muito na parte física caso ambos estejam em um bom nível.
Dino é um jogador bem completo, mas se João não pensar adiante e encarar de uma forma que não terá obrigação de vencer – afinal o oponente vem com grandes resultados e duas vitórias sobre top 10 -, terá tudo para fazer uma boa partida e sair com a vitória. Se ele entrar se sentindo o favorito, com a mesma obrigação que teve neste domingo, e, pensando no possível duelo contra Novak Djokovic na terceira rodada, o nervosismo pode bater de novo e as chances podem diminuir.
Vai depender um pouco também das condições de jogo. Ao meu ver, jogo mais à tade, com condições mais rápidas podem favorecer o brasileiro. À noite, quando o frio entra mais, as condições ficam mais pesadas e a bola anda menos.
É torcer para que João entre com a primeira mentalidade e aproveite suas oportunidades.
Bia perdida
Bia Haddad Maia fazia seu melhor jogo desde o US Open do ano passado. Agressiva, solta e com boa mentalidade. Eis que as duplas-faltas aparecem no meio do segundo set e pouco a pouco seu nível vai caindo, os erros aparecem e a adversária, nitidamente inferior, lê bem a situação, fica na partida, força os erros, constrói os pontos e vira.
Ao término da partida, em papo com a ESPN, Bia admitiu que passou mal, teve ânsia de vômito pelo calor e pelo estresse da partida. As questões mentais cada vez estão mais afloradas e só pioram a cada derrota e baque na confiança (são 16 em 20 jogos no ano). E isso se reflete no corpo ao longo dos jogos. As duplas-faltas chegam, os erros e erro de leitura de jogo.
Ela disse que não está sabendo direito o que fazer na quadra se joga mais agressiva, entrando mais na quadra, se joga mais atrás. Ficou até sem palavras.
Em resumo: está perdida.
É uma pena. Hoje tinh tudo para se reerguer e parecia que seria o dia para desencantar. Escapou.
A consequência é que vai ter que jogar torneios do nível WTA 125 e talvez menores nas próximas semanas. Vai entrar em poucos WTAs 250 e nem mais os WTA 500. Vai ter que ralar provavelmente em alguns eventos até nível ITF. Por sorte entrou semana passada em Wimbledon com o ranking antigo e terá essa oportunidade.
Torcemos para que se reencontre e volte a brilhar.









