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Masters Cup começa com favoritismo de Federer e muita história para contar

Sábado, 11 de novembro 2006 às 22:50:15 AMT

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Masters Cup


Por Daniel Lacerda

Começa nesta madrugada a Masters Cup, última competição do circuito principal da ATP. Como não poderia deixar de ser, Roger Federer pinta como o grande favorito, mas por se tratar de uma competição com os oito melhores tenistas do mundo, todo cuidado é pouco. A Tênis News preparou este especial para você conhecer os grupos, os jogadores e relembrar um pouco da história do evento e a inesquecível conquista de Gustavo Kuerten no ano 2000. Confira!

A Masters Cup tem uma fórmula de disputa completamente diferente de todos os outros torneios. Os oito tenistas foram divididos em dois grupos com quatro jogadores em cada. Classificam-se às semifinais os dois melhores de cada chave. De um lado, no Grupo Vermelho, estão Roger Federer, Ivan Ljubicic, Andy Roddick e David Nalbandian. No outro grupo, o Dourado, aparecem Rafael Nadal, Nikolay Davydenko, Tommy Robredo e James Blake.

No Grupo Vermelho, destaque para Roger Federer, que é o cabeça de chave. O número 1 do mundo disputará a Masters Cup pela quinta vez seguida na carreira. A primeira vez ocorreu em 2002, quando foi derrotado por Lleyton Hewitt na semifinal. Em 2003 e 2004, ele foi campeão, superando no primeiro ano Andre Agassi e no segundo Lleyton Hewitt. Ano passado, ele foi finalista vencido por David Nalbandian. Este ano, Federer conquistou 11 títulos e somou até agora 1524 pontos na Corrida dos Campeões.

O segundo tenista de melhor ranking nesta chave é Ivan Ljubicic, 4º colocado. O croata participará de sua segunda Masters Cup. Ano passado, ele foi eliminado na primeira fase, em um grupo cujos classificados foram Federer e Nalbandian, dois oponentes que cruzam seu caminho novamente. Este ano, Ljubicic conquistou três títulos e somou 479 pontos na Corrida dos Campeões.

O terceiro favorito da chave é Andy Roddick, que vem se recuperando bem de um início irregular de temporada. O americano vai para sua terceira Masters Cup. As outras duas foram em 2003 e 2004 e em ambas as oportunidades ele foi semifinalista. O ex-número 1 do mundo levantou um troféu este ano e aparece em 5º na Corrida dos Campeões, com 463 pontos.

Quem completa o Grupo Vermelho, ou “Grupo da Morte”, é o atual campeão da Masters Cup, David Nalbandian. O argentino vai para sua terceira participação no evento. Em 2003, ele foi eliminado em uma primeira fase cujos classificados foram Roger Federer e Andre Agassi. No ano passado, ele contrariou os prognósticos, superou Federer na final em uma partida memorável e conquistou seu mais importante título na carreira. Este ano, Nalbandian conquistou um título e está em 7º na Corrida dos Campeões, com 439 pontos.

Já pelo Grupo Dourado, o destaque é Rafael Nadal. O espanhol fará sua estréia em Masters Cup, já que no ano passado ele desistiu alegando uma contusão no pé. Este ano, o jovem tenista conquistou 5 títulos e consolidou sua 2ª colocação no ranking. Ele é o vice-líder da Corrida dos Campeões, com 854 pontos.

O segundo tenista de melhor ranking em sua chave é o russo Nikolay Davydenko. O jogador fará sua segunda participação no evento. Ano passado, ele foi eliminado por David Nalbandian na semifinal. Este ano, ele levantou cinco troféus e aparece em 3º lugar na Corrida dos Campeões, com 545 pontos.

O terceiro favorito da chave é o espanhol Tommy Robredo. Ele se garantiu na Masters Cup graças ao ótimo desempenho no Masters Series de Paris, em que foi semifinalista. Assim como Nadal, fará sua estréia na competição. Ele conquistou dois títulos nesta temporada e aparece em 6º na Corrida dos Campeões, com 439 pontos.

O outro jogador da chave é James Blake, que também fará sua estréia. O americano conquistou cinco títulos este ano e aparece em oitavo na Corrida dos Campeões, com 426 pontos.

A primeira vez que ocorreu um torneio reunindo os melhores tenistas do ano ocorreu em 1970 e foi vencido por Stan Smith. Daquele ano até hoje, os seguintes tenistas já levantaram pelo menos uma vez o troféu: Ilie Nastase, Guillermo Vilas, Manuel Orantes, Jimmy Connors, John McEnroe, Bjorn Borg, Ivan Lendl, Boris Becker, Stefan Edberg, Andre Agassi, Pete Sampras, Michael Stich, Alex Corretja, Gustavo Kuerten, Lleyton Hewitt, Roger Federer e David Nalbandian.

Como lembrança, o troféu de Guga foi conquistado em 2000, na cidade de Lisboa, em uma das edições mais emocionantes da história do torneio. Naquela ocasião, não só o torneio estava em disputa, mas como a primeira colocação no ranking. Quem aparecia como líder do ranking era Marat Safin, mas o catarinense tinha possibilidade de se tornar o líder ao final do torneio. Após a primeira rodada, porém, esse sonho parecia mais distante. Enquanto o russo havia derrotado o espanhol Alex Corretja por 2 sets a 1, com parciais de 6/7, 7/5 e 6/3, o brasileiro estreou com derrota para Andre Agassi por 2 sets a 1, com parciais de 4/6, 6/4 e 6/3.

Para piorar a situação, o brasileiro sentia problemas físicos e quase abandonou a competição. Mas a garra de Guga foi maior do que a dor e ele voltou à quadra. Na segunda rodada, ele enfrentou o sueco Magnus Norman e venceu com facilidade, por 2 sets a 0, parciais de 7/5 e 6/3. Safin, por sua vez, seguia firme e aplicou duplo 6/4 em Lleyton Hewitt. Para ser o número 1 do mundo, o brasileiro teria que conquistar o título e torcer para o russo não vencer mais nenhuma partida.

E os ventos começaram a soprar a favor do brasileiro antes de ele entrar em quadra pela terceira rodada. Marat Safin enfrentou Pete Sampras e foi derrotado com folga por 2 sets a 0, com parciais de 6/3 e 6/2. A derrota do russo manteve as esperanças do brasileiro, que tinha que superar Yevgeny Kafelnikov. E a vitória veio por 2 a 0, com parciais de 6/3 e 6/4.

Após o término da primeira fase, as semifinais seriam entre Marat Safin e Andre Agassi, de um lado, e Guga contra Pete Sampras, do outro. No primeiro jogo, Safin foi facilmente dominado por Agassi. O americano fez duplo 6/3 e abriu as portas para Guga, que a partir deste momento dependia unicamente de seu tênis. Para isso, ele teria que superar duas lendas em seqüência.

Na partida de semifinal, diante de Pete Sampras, o brasileiro teve uma atuação impecável em todos os sentidos. Ele perdeu o primeiro set no tie-break, mas buscou uma excepcional virada. A vitória veio por 6/7, 6/3 e 6/4 e faltava apenas uma vitória para ele se tornar o primeiro sul-americano a terminar uma temporada como melhor do mundo.

Na decisão, ele enfrentou Agassi e fez 3 sets a 0, com triplo 6/4, conquistando o título, a coroa de melhor do mundo e dedicando o troféu à sua mãe, que estava presente em Lisboa naquele momento.

O título de Guga mostra bem a importância de uma Masters Cup. E uma nova história de garra, superação e alto nível técnico começará a ser escrita pelos oito tenistas classificados. Que os ares de Shanghai tragam um ótimo tênis e, principalmente, uma ótima história para contar!
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