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Fábio Fognini, a jovem promessa italiana, em entrevista exclusiva ao Tênis News

Terça, 07 de novembro 2006 às 20:00:00 AMT

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Fabio Fognini

Por Fabrizio Gallas, Direto de Aracaju -
Mais um jovem talento do tênis mundial vem surgindo na promessa de ser um dos melhores em alguns anos. Tímido e de poucas palavras, o italiano Fábio Fognini, treinado por Leonardo Capetti, demonstra talento e versatilidade em todos os golpes. Nesta temporada furou qualis de eventos Masters Series, ATPs e por pouco não derrotou seu ídolo Carlos Moya, com o qual busca adaptar seu estilo de jogo. Direto de Aracaju ele concedeu entrevista exclusiva ao Tênis News e contou sobre sua carreira, seu sonho de vencer Roland Garros, a supremacia de Roger Federer, além de falar de suas paixões, a moto e o futebol. O tenista não faz previsões, nem estipula metas no ranking, ele é pés no chão.

Tênis News - Você começou no tênis novo aos 4 anos de idade. Como foi esse início ?
Fabio Fognini -
Tinha 4 anos, meu pai jogava bem, nunca foi profissional. Até os 14 anos jogava tênis e futebol e depois disso optei pelo tênis. Jogava futebol pela equipe de minha cidade, San Remo (perto de Genova). O time se chamava Argentina, mas não tem nada a ver com o país da América do Sul.

TN - Em que posição jogava em seu time de futebol ?
FF -
Jogava de meia atacante, no estilo Roberto Baggio.

TN - E como foi essa sua opção pelo tênis ?
FF -
Achava que era melhor nesse esporte e recebi conselhos de meus pais e agora estou seguindo carreira.

TN - E como foi o início no tênis, fazia muitas viagens quando juvenil ? Teev que mudar de cidade ?
FF -
Não, aos 14, 15 anos já viajava pela Europa. Meu primeiro título juvenil foi na Argélia, fiquei muito contente. Aos 16 fui campeão europeu em Viena (Áustria) depois fui para Roland Garros, fiz quartas de final, Australian Open, quartas também e US Open oitavas. Em Wimbledon nunca ganhei uma partida. Cheguei ao número oito do ranking no primeiro ano de 18 anos e no segundo ano comecei a jogar os futures na Europa. Agora tento trilhar o caminho profissional.

TN - Quais ídolos possui no tênis ?
FF -
Os espanhóis como Carlos Moya, Albert Costa...
TN - Vendo seu jogo analisei que tem um estilo de jogo parecido com o Moya...
FF -
Sim tenho estilo parecido, e espero fazer igual com o ranking. Já ebncontrei com ele algumas vezes esse ano, joguei duas vezes contra em Buenos Aires (Argentina) e Amesfoort (Holanda), perdi as duas vezes. Também gostava do estilo de Pete Sampras que era ídolo de todo mundo assim como Valentino Rossi na Itália.

TN - Gosta de motos ? Tem alguma ? FF -Gosto sim, tenho uma, na Itália é uma paixão, gosto mais do que a Ferrari na Fórmula 1.

TN - Como foi sua transição de juvenil para profissional ?
FF -
Quando se tem que fazer uma mudança de nível é difícil. Comecei a jogar futures, daí quando me profissionalizei iniciei como 720 do mundo e terminei como 300. Em 2005 fiquei quatro meses lesionado no punho e no tornozelo.

TN - Mas agora ainda tem algum problema físico ?
FF -
Sim estou bem. Mas tenho que ter mais constância em meu jogo. Se for constante em todos os jogos termino ganhando bem. É um importante esse lado mental que faz jogar bem todos os pontos, sou constante as vezes não sempre.

TN - Qual seu estilo de jogo na sua opinião ?
FF -
Sou um jogador baseado nas quadras de saibro, gosto superfície rápida também, mas esse ano fui melhor na terra, meu jogo é baseado na direita e gosto também de ir à rede matar os pontos. Meus golpes em garal são mais ou menos iguais, falta melhorar a constância.

TN - Esse ano você começou a jogar torneios maiores como Masters Series de Roma, ATP Buenos Aires, foi seu primeiro ano nesses grandes eventos como foi ?

FF-
Sim comecei a jogar esses torneios, estive melhor neles do que nos challengers. Meus melhores resultados nesses eventos médio porte foi quartas de final. Não ganhei nenhum ATP, mas furei o quali em Estoril, Buenos Aires, Masters Series de Roma, Amesfoort. Em Roma ganhei do Razvan Sabau e passei pelo Novak Djokovic (que hoje é o número 16 do mundo). Não sei porque, mas joguei melhor em torneios mais altos.

TN - Nas quadras rápidas você passou algum quali como foi ?
FF -
Não, agora tenho um ranking um pouco melhor e quando voltar à Itália começo a pré-temporada em quadras rápidas para tentar jogar no Australian Open.

TN - Quais torneios joga neste fim de ano e qual meta de ranking que tem para terminar 2006 ?
FF -
Jogo em Buenos Aires e Guayaquil. Não tenho meta de ranking, pois se disser algo e não alcançar não é legal. Tenho que dar meu máximo em quadra.

TN - E para o ano que vem ?
FF -
Penso que preciso fazer meu melhor e o que acontecer vai acontecer.

TN - Qual o sonho da sua carreira ? Qual torneio almeja ganhar ?
FF -
Meu torneio favorito é Roland Garros. Também gostaria de vencer no Foro Itálico.

TN - Este ano jogou na estréia do Foro contra o Thomas Johansson.
FF -
Não foi um bom jogo. Era sua primeira partida depois da operação no olho e os dois erraram muito. Se eu ganhasse o primeiro set poderia ter vencido, mas fui mal no tie-break e no set seguinte abriu uma quebra e aí terminou.

TN - Vi você andando pelo hotel com uma camisa do Inter de Milão, torce para esse time ?
FF -
Sim! Sou "Interista" como se chama na Itália. Temos lá o Adriano, brasileiro, mas agora está um pouco fraco, não sei o que tem, nunca faz gols (risos). Ele é bom jogador, mas agora está ruim. Temos muitos argentinos também.

TN - Vão ganhar a Liga dos Campeões da Europa ?
FF -
Espero que sim, precisamos de umas duas partidas para ir às quartas de final.

TN - E costuma ir a jogos de futebol ?
FF -
Quando estou na Itália sim. Agora antes de chegar a Aracaju, nosso vôo saiu de Madrid, mas paramos uma noite em Milão e fui ver ao jogo Inter x Spartak Moscou, foi 2 a 1 pra gente. O dia seguinte vim para Aracaju.

TN - Federer reina há 3 anos absoluto no ranking, com uma diferença de mais de 3 mil pontos para Nadal. Quando você acredita que terminará o reinado de Roger Federer ?
FF -
É um fenomêno como se diz na Itália. Somente Nadal pode ganhá-lo.

TN - Por que outros não ganham dele ? Falta constância mental deles contra Federer ?
FF -
Porque Nadal tem muito nível, é canhoto. Falta sim, os outros pensam Federer como número 1 ele tem vários títulos de Grans Slam. Acredito que vai bater o recorde de Pete Sampras. Por agora ele não é o melhor de todos os tempos, mas quero ver como vai.

TN - Como é Federer fora da quadra ?
FF -
Muito simpático assim como Nadal. Conheço eles, são bons garotos por isso estão onde estão, também isso é muito importante no circuito.

TN - Quais são seus melhores amigos do circuito, tirando os italianos ?
FF -
Amigos são o espanhol Nicolas Almagro, o russo Marat Safin, é muito legal ele, simpático, louco também, tem também o argentino Juan Martin Del Potro. TN - Qual sua opinião sobre o austríaco Daniel Koellerer (tenista que arruma confusão com todos do circuito) ?
FF -
Sobre ele não me pronuncio. Todos sabem o que penso dele.

TN - Como você vê o tênis italiano hoje em dia sobretudo com Volandri na liderança ?
FF -
Agora o Volandri voltou ao 30, 35. O que acontece é que temos vários jovens subindo agora como Simone Bolleli, Stefano Galvani, Gianluca Naso. Estão em um bom nível. De juvenis temos o Thomas Fabbiano que pode ser um bom jogador, do restante não conheço muito.

TN - Está contente com o título italiano na Copa do Mundo de Futebol então...
FF -
Sim, claro. Foi uma grande coisa. Esperava que ganhasse, eu estava em Bastad, Suécia, e me disseram que havia ganhado de todo mundo. Brasil era um dos três favoritos e não fez uma boa Copa.
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