X

Tiago Fernandes nega problemas com Larri e busca sonho de ser top 10

Segunda, 23 de dezembro 2013 às 08:00:00 AMT

Link Curto:

Tênis Profissional
Por Fabrizio Gallas - Ele foi nº 1 juvenil com título do Aberto da Austrália em 2010, um dos cinco brasileiros a vencerem um Grand Slam na história do tênis. Mas o profissional trouxe uma realidade inicial diferente e o tenista vem em trabalho à longo prazo e sonha com o top 10.

O alagoano, que irá para seu terceiro ano como profissional, sofreu dois revezes na migração do juvenil. O primeiro uma lesão no púbis que o deixou por seis meses longe das quadras. O segundo o rompimento com Larri Passos, segundo alega ter sido sem ressentimentos. Tiago sentia necessária uma reestruturação física e por isso se mudou para o Itamirim Clube de Campo, em Itajaí (SC) onde treina com Patrício Arnold e Marcos Daniel. O trabalho de base ainda deve durar mais duas temporadas e o nordestino planeja entrar no top 200 ao fim de 2014 e quer voos altos assim como teve como júnior. Veja a íntegra do bate-papo.

Tênis News - Como você avalia sua temporada ?
Tiago Fernandes -
Foi um ano importante de reestrutura física, de me reestabelecer no circuito depois de uma lesão delicada. Dei bastante foco para fazer vários blocos de preparação física, coisa que eu não tinha feito na carreira. Joguei menos de 20 torneios no ano, então foi bastante importante para avaliar as coisas que preciso melhorar, tenho bem claro o que preciso evoluir além do físico.

TN - O que exatamente você precisa melhorar ?
TF -
Preciso seguir dando essa importância pro físico, eu me reestruturei, agora preciso melhorar, no meu jogo preciso melhorar meu saque, esquerda e movimentação de perna.

TN - Você tem trabalhado em blocos de físico e de torneios, nesse momento em que você não joga, como é ficar esse período ? Consegue lidar bem ou fica ansioso para jogar torneios ?
TF -
Sempre dá vontade. Temos espírito competitivo, então nos últimos dias sempre dá vontade de jogar, mas estou ciente das coisas que preciso fazer e me preocupando menos com resultado, mas é algo que virá naturalmente com a preparação adequada, então tenho que segurar a vontade de jogar e dar prioridade com as coisas que valem mais.

TN - Para a temporada 2014 o que você pretende ?
TF -
Vou descansar um pouco agora e começo a pré-temporada em janeiro e estamos pensando fazer quatro semanas pra dar uma base pros primeiros meses do ano, a princípio começo ali por fevereiro, mas não decidi qual torneio.

TN - Você está no ranking um pouco abaixo dos 500. Era sua meta fechar nessa posição ?
TF -
Jogador sempre vai pensar em resultado, mas o meu maior pra esse ano foi dar importância pro meu físico. Óbvio que se tivesse jogado mais algumas semanas, ganho mais uns dois futures, meu ranking estaria 400 e pouco, 300 alto. Eu poderia estar lá esse ano, mas não seria visando o longo prazo. Queria estar melhor de ranking, claro, mas por outro lado estou contente de não ter me lesionado, acreditado mais em mim em relação à estrutura física. A partir de agora sigo dando ênfase nessa parte, mas visando mais resultados que virão naturalmente.

TN - É muito diferente o estilo do Larri Passos pro que você está agora ?
TF -
Todos os trreinadores são diferentes, cada um tem uma metodologia diferente. É como se você falasse que um casal tem a mesma relação que o outro. O Larri tem a forma dele de ser e é uma coisa que é forte é a personalidade dele. O Marcos Daniel é diferente, o João Zwertsch também, cada jogador também funciona de uma forma diferente.

TN - Quais os pontos que você fazia antes e faz agora ao estilo de treino ?
TF -
O Larri fazia um treino de 50 bolas, eu faço hoje de 30, o Larri aplicava daquela forma e os meus de hoje de outra, assim como o preparador do Larri trabalhava de uma forma e o daqui de outra.

TN - E em qual você fazia mais físico, lá ou agora ?
TF -
Agora estou tendo mais intervalos de físico, no Larri fazia um pouco menos, hoje tenho mais semanas de físico, mas por conta também de minha lesão, me dediquei esse ano para ter atenção na reestruturação do meu corpo por conta da lesão com cuidados físicos. Essa lesão pode ter sido um sinal de que precisava melhorar essa parte.

TN - E como está seu relacionamento com o Larri Passos hoje ? Você voltaria pro Larri no futuro ?
TF -
Todo treinador funciona de uma forma diferente. O circuito todo sabe como o Larri treina, como eu vou dizer que a forma que o Larri me treinou foi errada ? O cara fez um número 1 do mundo. O que acho é que os jogadores se adaptam a uma forma de trabalho. A Bia Maia e o Thiago Monteiro treinam com ele e tem ótimos resultados, mas pro meu foco no momento era o momento de mudar. Já encontrei ele várias vezes, continua uma relação normal com ele e família dele, super tranquilo. Por conta de relacionamento nunca vai ser o problema. Se em algum momento eu chegar a conclusão que treinar com o Larri será bom pra mim e ele tiver de portas abertas, eu voltaria, sem problema.

TN - Depois desse ano de reestruturação física, qual sua meta para 2014 ?
TF -
Vou continuar passando por essa reestruturação em blocos, mas menores blocos, ficarei nessa sequência por mais uns dois anos com ênfase no físico, mas meu foco em termos de ranking será maior. Quero terminar o ano no top 200. Vou jogando os torneios de acordo com meu nível e resultados e confiança.

TN - Você teve sucesso muito jovem e apareceu muito na mídia jovem também. Essa pressão interna atrapalhou ? Chegou a pensar em algum momento de não aguentar mais, algo assim ? Como isso mexeu com sua cabeça ?
TF -
Tênis é um esporte massacrante quanto a isso. Basicamente tirando dois, três tenistas, todo mundo perde um jogo por semana. Ferrer perde um jogo toda semana, por mais que ele seja três do mundo e eu 500. O fator da cobrança de querer melhorar e estar querendo ganhar, mexe muito com as emoções. A pressão interna é outra coisa que influencia muito. O quanto você consegue administrar isso e chegar na hora do jogo estar tranquilo pro seu jogo fluir é o que faz a diferença pois em golpes não interfere tanto. Tem um ou outro que se destaca, mas é da genialidade de cada um , o que difere mesmo o quão nível maior de tênis maior o jogador consegue manter e isso é mental.

TN - Essa pressão depois de ganhar na Austrália e ser número 1 juvenil atrapalhou você pra essa caminhada no profissional ? Você já quitou ela totalmente ?
TF-
Quitei sim. No começo atrapalhou pois eu não estava preparado em termos de pressão, mídia, mas vejo como uma coisa muito positiva. Passei por momentos que sei como é jogar da forma que jogava em termos de pressão. Hoje quando estou pressionado, nervoso, já tive essa experiência de jogar dessa forma e se acontecer no futuro me sentirei preparado para encará-la.

TN - Você se sente preparado para encarar e despontar no circuito profissional ?
TF -
O objetivo é esse com essa reestruturação que estou passando, ter uma formação completa, visando o objetivo final que é ser um top e pra isso tenho que ter os blocos todos completos. Se isso não acontece o jogador bate ali os 150, 200 e volta ou então fica só lá e não fura os 100, 50 do mundo que é esse meu objetivo.

TN - E sua meta de carreira qual é ?
TF -
Quero ser top 10, minha meta principal é essa.
teninews.com.br
br.jooble.org