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Troicki critica ATP e sistema anti-doping

Segunda, 11 de novembro 2013 às 13:54:11 AMT

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Tênis Profissional
Afastado do circuito profissional de tênis em virtude de uma condenação no antidoping por conduta antidesportiva, o sérvio Viktor Troicki aceitou falar em entrevista ao jornal sérvio Blic e não poupou críticas a ATP, alguns colegas e ao sistema da WADA.

Foto: Arquivo
O sérvio avisou que estará na Arena Belgrado para apoiar seu país na final da Copa Davis.

Troicki recebeu a equipe do jornal em sua casa e disse que voltará “mais forte que nunca”, após período de punição, que terá seu fim em julho de 2014.

O tenista disse estar vivendo um “inferno” desde o Masters de Monte Carlo, onde aconteceu a não-realização do exame anti-doping na data determinada e que gerou a punição ao atleta, que teve seu exame limpo. Troicki contou que recebeu a notícia de sua punição definitiva em casa: “Estava sozinho. Naquele momento estive perto de um colapso. Eu esperava que tudo desse certo, que ia acabar tudo bem, mas terminou desastrosamente. Pior. Dói mais saber que estou limpo e que não cometi nenhum erro”.

“A médica Jelena Gorodilova tentou se proteger”, disse Troicki, que explicou o ocorrido em Monte Carlo e reconheceu que errou ao não comentar a situação com quem quer que fosse no circuito. “Três dias depois eu recebi um e-mail da agencia (WADA), de Stewart Miller, dizendo que havia um problema”, ressaltou.

Viktor explicou como foi o julgamento na Côrte Arbitral do Esporte e revelou que a médica entrou em contradição em seu depoimento, o que de alguma forma mostrou “que havia erros” por parte do controle anti-doping. “Existem procedimentos que os médicos devem seguir. Um deles é convidar alguém da ATP para acompanhar. Mas eu estava preparado. Ela não defendeu só seu trabalho, mas todo o sistema. A sala do anti-doping estava a 20 metros do escritório do gerente da ATP no torneio. Ela disse que eram 25 minutos e não foi possível avisá-lo de que eu não faria o procedimento. Aí foi constatado que ela estava mentindo! Uma das testemunhas foi o gerente da ATP. Eles provavelmente a orientaram, a fim de se protegerem. Com eles não pode haver falhas, porque se ficassem provadas (as falhas) os jogadores se revoltariam”, contou.

Troicki comentou que é difícil se reerguer depois de tudo que aconteceu, mas que tirou forças do apoio dados por colegas publicamente, seja o de Andy Murray dizendo que ele não foi profissional, mas que acreditava em sua inocência, ou dos de muitos outros que acharam injusta a punição, citando vários deles, dentre eles Roger Federer e David Ferrer.

Por sua vez, Viktor Troicki criticou a postura da Associação dos Tenistas Profissionais, a ATP, que em momento algum se pronunciou sobre o caso. “Eles (a ATP) dizem que estão lá para apoiar você, mas foram apenas palavras. Nem um pronunciamento, nenhuma palavra. Tantas vezes eu lhes pedi ajuda, qualquer coisa, e nunca houve nada. Me dói saber que alguns deles me deram suas condolências e não fizeram nada. Mais uma vez provaram que eles estão de fato prontos para atender interesses próprios”, disparou.

“Sou apenas um menino amarrado aos pais. Entretanto, o que fizeram Nole (Novak Djokovic), Janko (Tipsarevic), Ziki (Nenad Zimonjic) é ótimo. Principalmente Novak, nunca mais vou esquecer. Ele se mostrou um amigo. Uma grande pessoa. Como todo mundo, também, o treinador (Bogdan) Obradovic – capitão da Copa Davis. Estava lá comigo e ele tentou amenizar a situação. Eu percebi quem são os meus amigos. Os de momentos bons e ruins”, refletiu.

Troicki afirmou que estará na Arena em Belgrado para torcer por seus amigos. Ao contrário da fase de semifinal, ele agora está julgado e não poderá ser impedido de entrar, de acordo com as regras do esporte. Após a final, Viktor passará férias com a familia de Zimonjic, que o convidou para esquiar.

Viktor Troicki, que hoje ocupa a posição de 77º do ranking da ATP, afirmou que estava feliz com o momento que vivia no circuito e por isto, treinará normalmente para voltar “mais forte que nunca”.

Ao contrário do que ocorre normalmente em caso de punições antidoping, Troicki não perdeu seu principal patrocinador, um banco sérvio. No caso de vestuário a situação com a Adidas é indeterminada.

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