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ATP Buenos Aires - Preocupações e Esperanças para 2006

Quinta, 23 de fevereiro 2006 às 17:00:00 AMT

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Guga - Sauípe

Por Fabrizio Gallas, Tênis News

O torneio de Buenos Aires foi notável em diversos aspectos. Primeiro pela preocupação com ídolos nacionais: Gustavo Kuerten, no Brasil, e Guillermo Coria, na Argentina. Segundo pela recuperação de Flávio Saretta e Carlos Moya. Por fim, pelos jovens talentos que surgem a cada dia no tênis e podem dar trabalho nesta temporada 2006.


Foram seis dias do evento mais disputado e emocionante da gira latino-americana até o momento. Calor forte, clima seco, quadras cheias com barulho do público. Um show de tênis.

Não somente os jogos lotavam de crianças, jovens e adultos, como também os treinos dos jogadores. Logo no primeiro dia, alguns assistiam o treino de Ricardo Mello e Flávio Saretta ao invés de acompanhar o ídolo local Guillermo Coria em ação na quadra central.

A decepção bateu no rosto de todos quando viram o maior ídolo brasileiro na Argentina desistir do evento: Gustavo Kuerten. Muitos perguntavam o motivo e corriam atrás do catarinense na busca pelo tão sonhado autógrafo quando ele desfilava pelo área do público.

O brasileiro fez dois treinos em que se disse bem fisicamente e recuperado de uma lesão sofrida no tornozelo direito antes do ATP de Viña del Mar. Durante a coletiva, quando anunciou sua retirada do torneio, Guga demonstrou duas caras. A esperança na boa recuperação para enfim voltar a jogar e uma falta de confiança quando perguntado se iria ou não parar em 2006.

Uma semana antes, no Peru, Guga havia dito que poderia "pendurar a raquete" caso não fizesse um bom ano. Em Buenos Aires e agora no Sauípe ele desmentiu. Mas, um tenista há tanto tempo parado não deve voltar a jogar os melhores torneios. Kuerten deseja pegar ritmo, está certo, precisa. Mas esse ritmo vem com triunfos e não com derrotas. No Sauípe ficou evidente essa falta de ritmo de jogo ao perder para o gaúcho André Ghem. A questão fica em saber, até quando Guga continuará aguentando essa inexorável constância ? Explodirá a cabeça e deixará o esporte ? Ou tentará recomeçar, jogando torneios de menor porte ? Essas são as dúvidas que ficam.

Se o ídolo no tênis brasileiro está em crise, na Argentina não é diferente. Nem mesmo o forte apoio da torcida foi capaz de levar Guillermo Coria a um bom desempenho. Seu físico e empenho continuam o mesmo que o levaram ao número três do mundo. Mas o psicológico atormenta nos momentos difíceis e o serviço acusa. Durante o Aberto da Austrália foram mais de 40 duplas-faltas em três jogos. Em Buenos Aires foram duas partidas e mais de 20. No primeiro duelo, vitória suada diante de Jiri Vanek. Na sequência, o "Mago" não viu a cor da bola diante do espanhol Ruben Ramirez Hidalgo.

No Brasil essa queda de rendimento do argentino está sendo notada apenas agora. Mas na Argentina as críticas ecoam há um bom tempo e os jornalistas questionam o futuro do atleta a todo momento. Coria assumiu, na coletiva, estar mal mentalmente, mas descartou a hipótese de precisar de um psicólogo. Mesmo ainda estando entre os 10 melhores doi mundo, este ano pode ser sua queda.

Buenos Aires não somente mostrou as preocupações gerais para a temporada. Flávio Saretta foi uma agradável surpresa. Jogando muito mal em 2005, sem demonstrar vontade, ele trocou de técnico. Jaime Oncins é um profissional de respeito, experiência e logo na primeira semana mudou a atitude do paulista. Flávio está mais aguerrido, suportando os momentos de pressão e não se abatendo por perder pontos bobos.

Na Argentina, com apoio de uma pequena torcida local, ele mostrou todo seu potencial que o levou ao Top 50 em 2003. Só não derrotou Juan Carlos Ferrero por "falta de sorte", assim como definiu. Mas na semana seguinte na Bahia, o troco veio. As esperanças são grandes. O ano será de eventos maiores e a responsabilidade por ser o melhor do país também.

Coroado campeão na capital Argentina, o espanhol Carlos Moya, além de encatar a maioria das argentinas, encantou pelo sólido tênis que apresentou. Bem certo que Buenos Aires é sua casa. Foram quatro finais e o terceiro título, recorde no torneio. O triunfo diante de Ferrero nas semifinais, quando esteve perto da derrota, é um indicativo de como deve se portar o ex-número um do mundo. No ano passado, Moya viveu de contusões. Caiu para baixo dos 30 melhores do ranking e conquistou apenas o evento de Chennai, na primeira semana.

Alguns jovens talentos também se destacaram. A regularidade e potência do sérvio Boris Pashanski e do tcheco Jiri Vanek surpreenderam. O primeiro caiu nas quartas, o segundo perdeu de Coria na primeira rodada. A soltura e a habilidade do espanhol Ruben Ramirez-Hidalgo. Contundido ele não ofereceu dificuldades a Moya nas quartas de final. São três jogadores a se olhar e que vão dar trabalho.

Buenos Aires Lawn Tennis Club foi o palco de uma semana fantástica em todos os aspectos. Somente um clube com 24 quadras de saibro, localizado numa área nobre da capital argentina, poderia receber um evento tão aprazível, com um público que respira o tênis. Nesses seis dias, preocupações, esperanças e surpresas deram o ar da graça. Também pudera. O maior evento da América do Sul.
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