X

Impressões sobre o Australian Open

Sexta, 20 de janeiro 2006 às 15:42:49 AMT

Link Curto:

Australian Open

Por Arthur Salles de Oliveira Lisboa

Os torneios Grand Slam possuem um componente especial que, em muitos casos, é determinante para a vitória ou derrota de um tenista. As partidas possuem cinco sets e, portanto, qualquer derrota em um set por descuido pode significar mais uma hora sob o sol escaldante do verão australiano.

Chave Masculina


Quinze dias de treinos e partidas separam os jogadores do troféu da mais importante estirpe de competição existente no circuito e, portanto, não é preciso apenas vencer, mas também é crucial poupar o físico em partidas relativamente fáceis. E torcida no sorteio dos turnos dos jogos.

Os favoritos para conquistar o primeiro Grand Slam iniciam o torneio contra adversários de posições mais modestas no ranking, o que não significa facilidade. Em alguns casos o desconhecimento do estilo do opositor dificulta as partidas, mas na maioria das vezes a maior confiança, técnica e consistência prevalecem. Roger Federer, Andy Roddick e Ivan Ljubicic, em minha opinião, tendem a avançar às últimas rodadas, conforme o encadeamento da chave. Lleyton Hewitt não aparece na lista por seu longo período de “estiagem” devido a problemas físicos.

Ljubicic se firma na lista de favoritos devido ao seu serviço desconcertante, sua excelente temporada em 2005 – inclusive com o título da Copa Davis pela Croácia - e por não apresentar problemas físicos. Andy Roddick ainda não está completamente recuperado do problema nas costas, o que pode ser um problema em quinze dias de competição. O americano precisará muito de seu serviço para vislumbrar o título na Austrália. Roger Federer ainda apresenta problemas no tornozelo, o que devido à longa duração do torneio poderá complicar o desempenho do suíço. Entretanto, nos dias de hoje é favorito em qualquer competição e sobre qualquer piso.

Um ingrediente especial no Grand Slam australiano é a heterogeneidade de povos que lotam as arquibancadas em Melbourne. Tenistas das mais diversas nacionalidades vêm sendo agraciados por um número expressivo de torcedores de seus países cuja animação vem abrilhantando a grande festa do tenis na Austrália. Destaque para a identificação do público com o americano James Blake, cuja história de luta contra um grave acidente ocorrido em um treino o faz ser uma referência no circuito. A cordialidade do povo australiano enseja essa confraternização de raças e credos presente na competição.

Apesar da magnitude incontestável do evento, é imperativo salientar a ausência de alguns jogadores que com certeza abrilhantariam mais ainda o torneio australiano. O primeiro Grand Slam sofre com a falta do atual campeão da competição, o russo Marat Safin, que foi o primeiro tenista em 2005 a derrotar Roger Federer em uma épica partida de cinco sets. O fenômeno André Agassi parece obrigado a encurtar seu calendário após uma série de lesões. E Rafael Nadal, o número dois do mundo, agora colhe as conseqüências físicas da extenuante temporada passada, responsável pelo seu avanço à segunda posição do ranking.

A lógica sugere a vitória relativamente fácil do suíço Roger Federer, ainda mais com a ausência de Nadal e Safin, mas o tenis não é uma ciência e, portanto, o leque de variáveis que influenciam as partidas não podem ser controladas, o que torna esse esporte magnífico pelo fator surpresa existente em cada duelo.
banner
banner