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João Souza, o Feijão, conta detalhes de sua viagem ao Australian Open

Quarta, 11 de janeiro 2006 às 11:03:05 AMT

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João Souza

Entrevista feita por Fabrizio Gallas, Tênis News

Uma aventura solitária ao outro lado do mundo. Isso que viverá João Souza, o Feijão, a partir dessa semana. Ele será o único brasileiro a jogar o torneio juvenil do Australian Open, em Melbourne, que começa a partir do dia 22 deste mês. Em entrevista exclusiva a Tênis News, o juvenil de 17 anos, que tem esse apelido Feijão por ser um fã da comida, falou sobre as expectativas de viajar ao outro lado do mundo pela primeira vez. Ele contou estar confiante, mas que será difícil seus primeiros dias de adaptação ao fuso horário de 12h.


O tenista nascido em Mogi das Cruzes (SP) e treinando no Centro da Amil, no Rio de Janeiro há nove meses, também contou um pouco sobre sua breve carreira, conquistas e seu futuro. João inicia seu segundo ano na categoria dos 18 anos, mas já disputa com frequência torneios profissionais, ocupando o 879º posto. Ele tem pretennsões de alcançar o Top 400 em 2006, quer um dia disputar Roland Garros e ficar entre os 10 melhores do mundo.

Tênis News – Quando e como você começou no tênis ?
João Souza –
Comecei aos 9 anos em Mogi das Cruzes, minha cidade natal, jogando com minha irmã. No início só jogava de brincadeira e depois aos 10 anos comecei a jogar alguns torneios amadores. A partir dos 12 anos comecei a treinar sério.

TN – Como foi sua evolução no início da carreira no juvenil ?
JS –
A partir dos 12 anos joguei mais torneios e na categoria 14 anos vieram mionhas primeiras grandes conquistas. Ganhei etapas do Cosat (gira de eventos juvenis pela América do Sul) e terminei o ano como número cinco do Brasil. Na categoria 16 anos cheguei a ser número dois do Brasil e nos 18, que tive meu primeiro ano ano passado, venci meus maiores torneios.

TN – Como foi esse seu primeiro ano na categoria 18 anos ?
JS –
Foi meu melhor ano. No Brasil fui campeão do Masters da Credicard Cup, ganhei o Brasileirão, venci a única etapa do Circuito Unimed em Vitória que disputei e conquistei os títulos das etapas do Chile e Argentina do Cosat. Além do mais joguei alguns torneios profissionais Futures.

TN – Qual foi sua maior conquista na sua breve carreira até agora ?
JS –
Sem dúvida foi quando eu ganhei do argentino Leonardo Mayer, então número três do mundo juvenil na decisão do Cosat na Argentina. Ele tinha ganho o Banana Bowl (um dos maiores eventos juvenis do mundo disputado em São José dos Campos, SP) e estava jogando na casa dele com o apoio da torcida. Foi muito bom ganhar dele lá.

TN – Você agora está indo jogar o Australian Open juvenil em Melbourne. Seu primeiro evento Grand Slam ?
JS – Sim. Eu ia jogar Roland Garros em 2005, mas fiquei de fora do qualy e não sabia se entraria. Eu ia junto com o Kike (Luis Henrique Grangeiro) e o André Miele. Depois eu vi que se fosse eu iria entrar no torneio, mas foi tranquilo, não fiquei abatido com isso.

TN – E como tão as expectativas para jogar na Austrália, sendo o único juvenil brasileiro a atuar do outro lado do mundo este ano ?
JS –
Vou para lá sozinho e não sei falar nada em inglês! Vai ser difícil quanto a isto. Mas eu estou indo muito confiante, vou com a mentalidade para ganhar o torneio.

TN – E como foi a preparação para jogar o primeiro Grand Slam do ano ?
JS –
Terminou agora minha pré-temporada. Estava indo super bem, treinei bem por duas semanas, aí machuquei o joelho, parei um pouco e voltei. O treinamento tá muito bom e super duro. Treinei bem para este torneio.

TN – E como tem sido o processo de adaptação para jogar na Austrália, do outro lado do mundo com mais de 12h de diferença ?
JS –
Bem, nunca passei por isso na minha vida. O mais longe que viajei foi a Venezuela, aqui na América do Sul. Esse fator vai ser duro. Mas chego na Austrália na sexta-feira (dia 13) e logo na próxima semana vou jogar um torneio em Melbourne e no dia 22 de janeiro começa o Grand Slam. Acho que dá para me adaptar legal.

TN – Como será esse ano de 2006 para você ? Vai priorizar torneios juvenis, mesclando com profissionais ?
JS –
No juvenil vou jogar todos os eventos Grand Slams. No profissional atuarei em alguns Futures e tentar qualys de Challengers também. Minha meta é terminar como Top 400.

TN – Falando de eventos profissionais você teve um bom desempenho agora em 2005 mesmo jogando poucos torneios. Me fale sobre seu melhor evento.
JS –
Foi a semifinal no Future de Fortaleza. Tava jogando muito bem. Fiquei muito feliz com o resultado, mas foi duro jogar lá, muito calor.

TN – Como é o estilo de jogo de João Souza ? JS –Tenho um bom saque, sou bem agressivo e a direita é boa. Meu ponto fraco é a rede. Odeio ir para rede. Gosto de ficar no fundo de quadra.

TN – E qual tipo de superfície você prefere atuar ? JS –Prefiro jogar no saibro, mas na quadra dura meu jogo rende muito também, tenho bons resultados na quadra dura.

TN – Quais são seu sonhos para sua carreira profissional que está começando agora ? JS –Meu sonho é jogar Roland Garros, torneio no piso que gosto de atuar. Como sou brasileiro gostaria de atuar na Copa Davis também. Acho que nesse príncipio é bom ir por etapas, subir degrau por degrau, mas acho que meu ideal é atingir Top 10, é o sonho de todo tenista profissional. Para isso terei que lutar muito.

TN – E agora você está no Centro de Treinamento da Amil, no Rio de Janeiro. Conte-me um pouco sobre a estrutura da Amil e como são os treinamentos no local comandados por Ricardo Acioly (ex-treinador de Fernando Meligeni, Marcelo Rios).
JS –
Estou treinando na Amil há nove meses. É muito bom, o lugar é lindo, todos lá são profissionais.A estrutura é excelente, são 10 quadras de saibro, 4 cobertas mais três quadras duras. O Ricardo Acioly está todos os dias quadra acompanhando agente. Ele é muito sério, sabe tudo sobre tênis.

TN – Qual foi o principal ensinamento, experiência que o Acioly passou nesse seu pouco tempo junto com ele ?
JS –
Ser o mais profissional possível. Não só fora, como também na atitude dentro de quadra. Ter muita vontade, raça e determinação. Foi isso que aprendi com ele.

TN – Para finalizar você gostaria de dar algum recado ?
JS –
Sim. Quero agradecer meus técnicos na Amil, o Luis Maracelli e o Luis Faria. Os preparadores físicos Mario Brandão e Romildo Rabelo. E também a uma pessoa que me ajudou muito que estava aqui há algum tempo e foi para Curitiba, o Antonio Prieto.
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