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Antes da punição, Meligeni e outras personalidades opinaram sobre o caso Puerta

Quinta, 06 de outubro 2005 às 18:51:43 AMT

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Mariano Puerta Rio III


Por Fabrizio Gallas - editor-chefe TênisNews

O caso Mariano Puerta gerou repercussões no meio tenístico. Em outubro a Tênis News foi atrás de diversas personalidades do tênis para saber a opinião sobre a acusação do doping de Mariano Puerta. Ex-tenistas como Fernando Meligeni e Fabio Silberberg; atuais jogadores como Marcos Daniel, Thiago Alves, Lucas Engel e Felipe Lemos e o ex-treinador de Meligeni, Daniel Musacchio, argentino, opinaram . Alguns criticaram o atleta e a ATP, outros defenderam e preferiram esperar o resultado oficial do caso. Confira a matéria!

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Meligeni e outras personalidades do tênis opinam sobre suposto doping de Puerta

O diário francês L´Equipe acusou, nesta quarta dia, dia 5 de outubro , o tenista argentino Mariano Puerta, número 10 do mundo, de ter testado positivo para a substância etilefrina, um estimulante, proibido pela ATP (Associação dos Tenistas Profissionais), durante o torneio Roland Garros. Na ocasião, Mariano foi vice-campeão, perdendo a decisão para Rafael Nadal. A Federação Internacional de Tênis (ITF) ainda não confirmou o caso. O tenista desmente, dizendo não ter contraído a substância.

Caso a ITF confirme o doping, Puerta, de 27 anos, será banido do esporte por reincidência — seria o primeiro caso de exclusão no tênis. Este também é o quinto argentino flagrado em exames anti-doping em cinco anos. Além dele, Guillermo Coria, Juan Ignácio Chela, Martin Rodriguez e Guillermo Cañas sofreram punições.

Devido a importância do caso, a TênisNews foi atrás da repercussão entre tenistas, ex-tenistas e técnicos gabaritados no Brasil, com ligações a Puerta e à Argentina.

Dentre os entrevistados, todos preferiram não acusar o jogador de imediato, mas apontaram, que o caso é uma mancha ao tênis argentino: “Não posso dar uma opinião pois a ITF ainda não confirmou o caso. Quero esperar para ver se é mesmo verdade o que o jornal francês falou. Por enquanto é muito ‘diz que diz’ por parte da imprensa. Agora, caso se confirme será muito ruim para o tênis argentino, o jogador será banido.” assinalou Fernando Meligeni, atual capitão do time brasileiro da Copa Davis. Meligeni foi semifinalista de Roland Garros em 1999 e um dos principais tenistas brasileiros na história.

“Se ele for pego mesmo foi um vacilo dele, vai ser banido. É muito chato essa notícia para o tênis.” disse o paulista Thiago Alves, quarto melhor tenista do Brasil e atual número 160 do mundo.

Os entrevistados também condenaram o artifício do doping no tênis, dizendo ser uma forma incorreta de conduta. Para eles a causa é a busca por um físico pivilegiado, tentando atingir resultados melhores: “O tênis está muito competitivo e o pessoal quer arrumar espaço. Como o tênis hoje em dia está com muita importância para o físico, então acaba forçando algumas pessoas a tentar algo para ajudar.” comentou o gaúcho de Passo Fundo, Marcos Daniel, terceiro melhor tenista do país, atual número 133 do mundo.

“Acho que cada um sabe o que faz. Temos que jogar o tênis limpo. Se somos bons assim, temos que provar que somos bons e não ficar usando drogas e outras coisas”. concordou o também gaúcho de Novo Hamburgo, Lucas Engel, 321º colocado no ranking de entradas.

A ATP também foi bastante questionada sobre sua conduta perante a aplicação de pena em casos de doping: “A ATP faz um controle legal, inclusive fui examinado agora no US Open, mas eu acho que podia ser mais severo”. declarou Alves que vai na mesma linha do discurso do carioca Felipe Lemos, que treina pela academia Amil, coordenada por Ricardo Acyoli, no Rio de Janeiro: “Acho que a pena deveria ser mais pesada, do que já é, pois em um torneio seja de grande ou pequeno porte, todos os jogadores têm que estar jogando de igual para igual.”

O ex-treinador de Fernando Meligeni quando juvenil, Daniel Musacchio, que é argentino e vive há um bom tempo no Rio de Janeiro, defendeu as declarações de Guillermo Coria à imprensa argentina na última semana. Coria, melhor tenista argentino do momento afirmou que os tenistas do país estariam sendo perseguidos pela ATP: “. O que me chama atenção é o grande número de argentinos envolvidos . O tênis argentino hoje se tornou uma grande potência pelo trabalho de base que vem fazendo e acho que seria injusto só argentinos serem ‘pegos’. Não diria uma perseguição, mas acho estranho.”

Thiago Alves foi mais a fundo e pôs em questão a integridade da entidade máxima dos tenistas masculinos: “Não sei se a ATP faz algum tipo de perseguição a esses jogadores, mas ela é uma entidade em que envolve muito dinheiro, diferentemente de um COI. De repente para eles não seria legal flagrar algo de jogadores como o Agassi, pois seria uma mancha para eles.”

Fabio Silberberg, ex- jogador brasileiro que defendeu as cores do país na Copa Davis na décado de 80, também comentou: “Parece que a ATP as vezes "protege" alguns americanos, ou tenistas de ponta. Não sei se isso é verdade mas espero que não seja. Todos têm que receber a mesma punição.”

Fernando Meligeni, que se aposentou em 2003, não sabe se há ou não perseguição a nossos "hermanos". Ele também conta sobre como era o controle anti-doping na sua época de jogador: “É difícil falar se há algum tipo de perseguição ao tênis argentino pois eu estou fora do circuito. Na minha época eu era testado no mínimo umas cinco vezes por ano e chegava a ser testado até 10 vezes. Tinha torneios que eu já sabia que seria testado e esse número vem aumentando a cada temporada.”

Daniel Musacchio, Marcos Daniel e Thiago Alves conhecem Mariano Puerta do circuito, falam dele como uma boa pessoa, um jogador muito trabalhador, mesmo assim Alves não duvida da capacidade do argentino poder ter se dopado outra vez: “Eu conhecia o Puerta, jogamos várias vezes, inclusive agora no Aberto de São Paulo em Janeiro. Ele é um cara trabalhador, um bom rapaz, mas já foi pego uma vez...”

Musacchio completa falando da época de juvenil do atleta e seu problema de peso. O técnico argentino, nascido no bairro de São Telmo, em Buenos Aires, fica triste pela iminência de término da carreira de Mariano: “Conheço o Puerta quando era juvenil e jogava torneios Cosat. Ele sempre teve problemas com peso e é normal fazer algum tipo de tratamento para cuidar disso. Me doeria muito ele fazer esse tipo de coisa e jogar uma carreira fora para obter resultado.”

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