X

Até onde vamos com esta Equipe ?

Domingo, 25 de setembro 2005 às 20:49:50 AMT

Link Curto:

John McEnroe - RJ


Por Artur Salles Lisboa de Oliveira

www.raciociniocritico.com

Convenhamos, vencer a equipe uruguaia - mesmo na casa do adversário -, era obrigação de nosso time.


O grupo brasileiro que representou o Brasil na final do Zonal II Americano é formado por jogadores de qualidade, que acalentam o sonho nacional de regressar à primeira divisão da Copa Davis.

Entretanto, observados um a um, a fase desses tenistas, pende ao regular e, em alguns casos, à mediocridade.

Examinemos as partes desse todo: o grande ídolo do País, Gustavo Kuerten, oscila entre a intensidade de quem está desesperado atrás do tenis de outrora e a irregularidade de golpes ainda falhos. Além disso, Kuerten sofre com as lesões trazidas pelo longo período de estiagem. Apesar de ter sido crucial na conquista do Zonal II Americano, não ostenta a confiança necessária para enfrentar as boas equipes presentes na segunda divisão da Davis.

O que falar do talentoso Flávio Saretta? O tenista de Americana já esteve entre os 40 primeiros do mundo, mas o seu aspecto psicológico - o mesmo que o derrotou na sexta-feira em partida contra o inexpressivo tenista uruguaio -, não permitiu sua permanência nesse seleto grupo de profissionais. Dificilmente irá fazer a diferença em jogos importantes do Brasil na Copa Davis.

Quanto a Ricardo Mello, o campinense faz o possível em quadra, de acordo com suas limitações técnicas. É detentor de um excelente preparo físico, boa mobilidade, certa técnica, mas não possui o que elevou Gustavo Kuerten ao topo do mundo: potência. Utiliza-se, em demasia, do efeito top spin, sem aprofundar as bolas, o que o torna uma presa fácil contra adversários com maior potência e regularidade. Também não será um diferencial em futuros confrontos.

E o talentoso duplista André Sá? Detentor de excelentes voleios e smash, é um tenista que pode ser utilizado nos jogos de duplas diante de qualquer adversário, apesar de ter demonstrado problemas em aprofundar seus serviços. E Raony Carvalho? O garoto juvenil de 18 anos vivenciou os bastidores da Copa Davis, importante para ele treinar com o grupo e adquirir experiênci. Bem, e o excesso de vontade de Gustavo Kuerten em jogar a última partida para ganhar ritmo ? Foi por "água a abaixo"... Mais uma contusão, agora no pé.

O retorno ao segundo grupo da Copa Davis representa um alento para os amantes do tenis, e um indicativo de mudanças positivas trazidas pela atual gestão. Entretanto, a negligência de anos em procurar e lapidar novos talentos não será corrigida apenas em alguns meses de nova administração. O material humano que temos hoje dá na medida para que regressemos à segunda divisão, mas voltar ao Grupo Mundial é um sonho quase impossível. Bélgica, Itália, Equador e Grã-Bretanha serão nossos futuros adversários. Fica a advertência: não vejo novos talentos que substituam os atuais.
banner
banner