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Anderson diz ter esperança que jogadores criem ambiente acolhedor a homossexuais

Terça, 18 de junho 2019 às 11:45:00 AMT

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Tênis Profissional

Ativista da causa animal, autodeclarado 'feminista' e defensor dos direitos da comunidade LGBTQ+, o sul-africano Kevin Anderson concedeu uma entrevista ao jornal britânico The Guardian, onde falou sobre como o tênis masculino deveria ter um ambiente acolhedor aos homossexuais.



Anderson acredita que o fato de ter crescido na África do Sul, onde presenciou os traumas criados por preconceitos institucionalizados pelo Apartheid, é primordial para que ele consiga ter, em suas palavras, "sempre uma visão diferente e mais macro de problemas". O sul-africano ressalta que por ser de uma nação que separou e condenou pessoas por características físicas e sociais, consegue perceber que as diferenças enxergadas, porém inexistente, por muitos destroem vidas em todos o mundo.
No inicio da temporada, Anderson participou de um evento organizado pelo jornalista norte-americano Nick McCavel, que falou sobre a homossexualidade no tênis durante o Australian Open, sendo o único representante do tênis masculino presente à discussão.
"Definitivamente há um estigma nisto. Historicamente a sociedade não tem sido receptiva. Os tempos estão mudando porque as pessoas estão falando sobre isso, o que é ótimo, mas é preciso que alguém quebre esta barreira. Não será fácil. Demandará muita coragem. Mas espero que se pudermos ser mais receptivos, será um pouco mais fácil", iniciou sua fala Anderson, que esteve no evento de McCavel acompanhado da esposa Kelsey, também ativista.

“Uma pessoa fazendo é suficiente para abrir portas para outras. Nos esportes coletivos dos Estados Unidos alguns vieram à tona. Jason Collins, que foi o primeiro jogador da NBA, a sair do armário, disse que um dos seus maiores desafios era como se sentia a respeito dos colegas de equipe. Mas uma vez que ele disse tudo e seus colegas o deram apoio, ele conseguiu ajudar outros caras", recordou o sul-africano.
"O tênis é um esporte individual, então a dinâmica é outra. Minha esperança é que os jogadores criem coletivamente um ambiente onde alguém se sinta confortável. É sobre ter uma boa consciência. Jason falou muito sobre isso. Está nas pequenas coisas, como dizer: 'Eu sou gay'", seguiu.

"Alguém que é gay poderia achar isso muito ofensivo, mas não se sentir confortável em falar. A NBA tem um sistema onde as pessoas são multadas por falar contra isso. Uma fala pode ser muito ofensiva e etapas como essa podem ser implementadas no tênis. Isto é parte de ser respeitoso e entender como comentários simples como esse podem ser recebidos por outras pessoas”, completou ele.