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Esperança em SP, Sakamoto pede apoio da torcida e critica mudanças na ATP

Segunda, 25 de fevereiro 2019 às 18:31:14 AMT

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Tênis Profissional

Por Ariane Ferreira - O guarulhense Pedro Sakamoto está vivendo um momento único após furar o qualificatório do Brasil Open e buscar sua primeira vitória em nível ATP. Nesta segunda, o jogador conversou com exclusividade com o Tênis News.



Foto: Marcello Zambrana/DGW Comunicação

"[Jogar na chave principal de um torneio ATP] É um dos maiores sonhos da carreira de um tenista, mas digamos que é um passo importante, um divisor de águas. Muitas vezes as pessoas se colocam barreira mentais e pessoais, e estas precisam ser quebradas num certo momento. O que aconteceu comigo ontem [vencer o argentino Carlos Berlocq na final do quali] foi importante para eu ter como afirmação para comigo mesmo", refletiu ele diante do empasse de viver o sonho e seguir lutando por algo a mais. 

"O resultado foi muito importante, porém, tenho que conseguir ter cabeça fria de conseguir jogar o meu melhor e não pensar pequeno, não. Esta [pensar pequeno] é uma decisão que muitos tomam, mas eu não quero participar disto", decretou.

Questionado sobre o "quão grande" sonha, Sakamoto revelou: "Um dos grandes sonhos de quem se propõe a jogar tênis é furar a barreira do top 100, mas um objetivo que tenho a curto prazo é de jogar a chave principal de um Grand Slam".

Sem escolher em qual dos quatro grandes preferiria jogar vindo do quali, num caminho para o quadro principal, Pedro Sakamoto revela que como "cria" do saibro adoraria jogar em Roland Garros. 

De origem japonesa, Sakamoto conta que o lado disciplinado, centrado e determinado da cultura japonesa entra mais em quadra do que faz parte do seu dia a dia. O traço "calmo", da mesma cultura, não faz tanta parte de Sakamoto em ação: "Não digo tão calmo. (risos) Eu não sou tão calmo assim, mas com o passar do tempo eu consegui me controlar. Mas [o lado japonês] tem muito na rotina [de atleta], de conseguir por bastante tempo me manter disciplinado e centrado".

Perguntado sobre no que as mudanças de pontuação e ranking da ATP e ITF afetou jogadores que como ele estão entre os 300 e 400 do mundo, Sakamoto revelou: "O que mais afetou para os jogadores que estão nesta faixa de ranking, é que eles não estão permitindo que se jogue torneios Challenger e se você não tem o ranking ITF muito bom, você também não consegue jogar, porque só há quatro vagas para este ranking. É difícil, porque no meu caso, eu preciso jogar mais Futures para tentar ficar entre os melhores da ITF para depois tentar os Challengers. Eu não estou conseguindo nem a chance de poder pontuar, porque eu não posso jogar Challenger e daí não posso vencer estes jogos e não tenho como pontuar. Não sei se não prestaram atenção nisso, mas tem sido bastante prejudicial para a gente que está ali de 300 pra baixo".

Pedro Sakamoto quer contar com a torcida para superar o desafio que será enfrentar o cabeça de chave seis, o espanhol Jaume Munar, 66º. "Se a torcida comparecer e apoiar um brasileiro em quadra, é lógico que o jogador sente, seja positivamente como negativamente, e isso pode atuar bem pra mim".

Jogando a clássica "uma partida de cada vez", o tenista natural de Guarulhos, tem fé numa boa campanha: "Queira Deus que eu chegue o mais longe que der. Eu trabalho e vou seguir trabalhando por isso".