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Suspenso, brasileiro se revolta: 'Medida excessiva, ofende minha integridade'

Terça, 11 de dezembro 2018 às 11:24:05 AMT

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Tênis Profissional

Por Fabrizio Gallas - O tenista brasileiro Diego Matos, de 30 anos, 247 do mundo nas duplas e fora dos 1000 do mundo em simples, enviou uma nota ao Tênis News se explicando sobre a suspensão provisíria imposta pelo TIU, a Unidade de Integridade ao Tênis.



A suspensão é de 60 dias e não dá detalhes do caso. Segue na íntegra a nota do atleta que se mostra revoltado e detalha que o órgão anticorrupção do tênis lhe procurou para três entrevistas, a última deles após a entrevista foi feito um pedido de busca no quarto do hotel do atleta que ele acabou negando. 

 

"Bom dia meu nome é Diego Matos.

Como vocês sabem, foi publicada uma nota em que o tópico principal é uma suspensão imposta pelo Sr. Richard Mclaren, que é um oficial encarregado das questões jurídicas de Anticorrupção do Tênis (advogado).

Vale ressaltar que a suspensão imposta é de 60 dias, Tempo que me é dado para tirar conclusões e defesas necessárias em relação a este caso. Considero que a medida é excessiva e ofende a minha integridade como pessoa e como profissional de Tênis, porque o fato de que eles me suspendem afeta minha carreira e mancha minha credibilidade como jogador com os patrocinadores.

Mais grave desta situação é que a suspensão é baseada em acusações sem provas concretas. Quero esclarecer que foi o melhor ano da minha carreira este de 2018, com 30 anos sou considerado um veterano, por esta situação e pelos meus resultados como jogador de duplas que é minha especialidade, estou hoje em 244 ATP (duplas), porém este ano eu tive três entrevistas com a TIU (Unidade de Integridade Tênis) em que me foram feitas diferentes perguntas sobre os meus jogos e sempre cooperei, não tendo nada a esconder, assim que após a primeira entrevista em Curitiba em 18 de maio, tive outra entrevista em Portugal na cidade de Sintra e novamente não me deram nenhuma informação de porque das entrevistas e nenhuma conclusão das mesmas, apenas queriam saber sobre meus jogos, assim ao passar dos meses em 18 de Outubro fui entrevistado novamente na Tunísia aonde o torneio é realizado dentro do hotel oficial Skanes Famiky, após uma partida os agente da TIU me informaram que queriam fazer uma busca no meu quarto, sem me dar qualquer explicação e eu não concordei com isto por acreditar que já estava passando a ser um assédio contra mim e lhes informei que só permitiria o acesso ao meu quarto com a presença da polícia, então os agentes desistiram.

Em 2018 eu tive 3 entrevistas onde eu sempre colaborei e nunca até hoje me deram resultado dessas entrevistas, sinto que as autoridades estão sendo duras com essas sanções apenas por me considerar veterano para jogar, agora que vem muitas mudanças no circuito para 2019, tenho a impressão de que estas medidas tão agressivas, estão sendo utilizadas para limpar a lista de jogadores que buscam o sonho de ser tenistas profissionais.

Eu estou em contato com meu advogado German Behar especialista em direito e Arbitragem para resolver esta suspensão, espero que volte em breve as quadras para jogar tênis e com o apoio da minha família que até hoje tem sido incondicional seguiremos em frente. Como afirmado nas notícias, a suspensão é provisória."

 

O Tênis News fez alguns questionamentos ao atleta sobre o caso que foram respondidas abaixo:

 

TN - Como você, aos 30 anos, jogando torneios futures e com foco nas duplas com premiação menor, consegue tirar seu sustento com o tênis ?

Diego Matos -  Para que você entenda melhor minha situação tenho que lhe contar pouco mais sobre mim: tenho 30 anos e voltei a jogar esse no final do ano passado. Parei de jogar em 2013 em função de ter feito uma cirurgia nas costas que a reabilitação durou quase 2 anos, nesse meio tempo até aqui trabalhei 3 anos com representação comercial fora do tênis e junto disso desde que tive condições físicas para voltar a quadra, sempre dei aulas de tênis.
C
om o passar do tempo e vendo muitos amigos e jogadores que eu já obtive vitórias no passado tendo bons resultados no circuito, sempre tive vontade de tentar, pois acredito muito que tenho potencial para chegar ao menos top 100 de duplas, que seria a recompensa por toda uma vida dedicada ao tênis, pois desde muito pequeno que eu sempre amei jogar e quem me conhece sabe da minha paixão por esse esporte.
Com isso no final do ano passado, resolvi ficar 6 meses na Califórnia junto com amigos meus brasileiros que vivem do tênis trabalhando na Califórnia e fiquei 6 meses por lá dando aulas, fazendo clínicas e jogando torneios com premiação em dinheiro praticamente todos os finais de semana para juntar uma grana e voltar a fazer uma gira pelo menos de torneios para ver se eu conseguia pontuar novamente e de repente tentar mais 1 aninho, aquele famoso agora ou nunca na vida das pessoas e da Califórnia. Fui jogar no Egito por oito semanas no final do ano passado, as primeiras cinco semanas foram muito difíceis, perdi jogos duros no quali de simples não entrava nas duplas porque não tinha ranking ou não tinha parceiro, foi complicado e eu consegui no final, nas duas semanas, pontuar em Simples e fazer uma final de duplas. Eu tinha pensado comigo que se eu pontuasse e eu ia tentar mais 1 ano, enfim segui com esse ano e meu activity tudo pode ver eu fiz 20 semanas seguidas jogando o que é bastante duro, dei a vida esse ano mais que qualquer outro jogador da ATP. Quero ver alguém sair de 0 e terminar o ano quase 230 em duplas, sem nenhum convite para torneio grande e nenhuma ajuda de nenhum tipo, só com o apoio da minha família que banca a minha carreira e com vontade de jogar, sonho de jogar um Grand Slam.

TN - Você viajou pela Turquia, Nigéria, Portugal e o Brasil. Só a passagem para a Nigéria no momento atual o valor gira em torno dos R$ 7 mil . Como você tira $ para poder disputar esses torneios ?

DM - Minha carreira é bancada pela minha família, meus pais, por motivo das passagens muito altas é que eu jogo muitas semanas seguidas, não volto nunca ao Brasil, fico pela Europa e da Europa eu pago 400€ para jogar na África e lá o custo e mais baixo que na Europa e meto a raça nas viajens gastando o menos possível sempre e estou em busca de jogar torneios maiores os Challengers em 2019 para chegar perto do top 100 e ainda sonho em ser top 30 nas duplas, pois acredito no meu potencial.

TN - Chegou a ter patrocínios ou tem patrocínios ? ou só tirando a grana desses torneios nos EUA e o que ganhou no circuito ?

No começo de minha carreira tive patrocínios e o Brasil chegou a fazer 30 futures no Brasil em 1 ano e ainda tinham alguns CH então eu e muitos tenistas da minha época fomos ajudados com esses torneios no Brasil que dava para jogar pelo menos por aqui na raça, ficando na casa de Deus e o mundo mas hoje só com o que eu ganho nos torneios e apoio dos meus pais, dificilmente aparece alguma ajuda fora isso. Tenho apoio de material somente.

TN - Você já recebeu propostas para entregar jogos ou games em troca de dinheiro por alguém ou alguma máfia ?

DM - Nunca recebi proposta para entregar jogos porque qualquer começo de contato suspeito de alguém que eu não conheço nas redes sociais, eu já bloqueio o perfil para evitar qualquer tipo de problema para mim. Eu fiquei 6 anos sem jogar tênis e poderia bancar minha carreira com apostas esse tempo todo que fiquei parado e nunca tive vontade de fazer isso, pois não preciso minha família tem condições de me me apoiar.

TN - O que aconteceu neste torneio na Nigéria em outubro agora ? Desistiu das simples nas oitavas e foi campeão de duplas. Qual lesão você teve ? E como conseguiu a recuperação para ganhar duplas ?

DM - Nesse dia, estava muito quente na Nigéria e difícil se alimentar, eu não comi legal e estava muito quente, comecei a sentir dor de cabeça e mal estar e acabei desistindo da simples e descansando para tentar jogar a dupla mais tarde, acabei ganhando o jogo esse na dupla e no outro Dia estava melhor nas semi finais de duplas e acabei ganhando o torneio. Quero agradecer ao meu pai,a minha família e amigos do mundo todo que tem me mandando mensagens de apoio nenhum momento tão duro para mim. Mas que eu acredito que vou adiante e agora entrar no Top 100 de duplas é questão de honra.

 

O tenista não quis dar mais detalhes sobre a motivação pelo qual teria sido suspenso provisoriamente por conta do curso do processo.