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Tomás Behrend, um grande vencedor do tênis

Quinta, 08 de março 2018 às 15:45:04 AMT

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Tênis Profissional

Por Fabrizio Gallas - Na última semana em minhas andanças e entrevistas pelo Campeonato Internacional Juvenil de Porto Alegre, antigamente chamada de Copa Gerdau, cruzei com Martín Behrend, ex-tenista profissional que optou pela carreira de técnico e jornalista.



Martín é irmão de Stefan Behrend, que segue a carreira na arbitragem, e Thomás Behrend, tenista que foi 74 do mundo do ranking mundial e fui agraciado com o livro sobre a biografia do jogador pouco conhecido pelos jovens tenistas do país, mas bem conhecido por aqueles brasileiros já na faixa dos 30, 40 anos de idade.

Thomás é o retrato de que não é preciso ganhar um Grand Slam ou ser um top 20, top 30 para ter sucesso no tênis. O fato de ter chegado onde chegou, pelas vitórias que conquistou tanto dentro quanto fora de quadra o colocam neste patamar.

Acompanhei o fim da carreira de Thomás, quando ainda começava no jornalismo e nos damos conta de suas vitórias lendo a publicação sobre sua carreira. Gaúcho de Novo Hamburgo de família alemã tinha dupla cidadania e optou por jogar com a bandeira da Alemanha após se mudar para um pequeno apartamento em Bochum onde tinha que andar quilômetros e quilômetros para poder lavar suas roupas. Foi para lá após um convite de um membro da família para jogar a 5ª divisão do concorrido InterClubes .

Daí conseguiu chamar atenção, alavancar sua carreira no profissional, passou a obter grandes vitórias como duas sobre o ex-número 1, Carlos Moya, uma sobre Marcelo Ríos, vitória sobre Juan Carlos Ferrero, subiu divisão no InterClubes alemão e ganhou notoriedade internacional. Derrotou Fernando Meligeni no Australian Open, fez semifinal de ATP, fez quartas de final no antigo Brasil Open na Costa do Sauípe.

 

Proposta para entregar jogo em Roland Garros

 

Em uma das passagens da publicação, Thomás conta em detalhes como funciona o mundo dos InterClubes e como virou ponte dos brasileiros jogarem e fazer dinheiro por lá. Um deles foi ele, Gustavo Kuerten que, ainda desconhecido, precisava de dinheiro para manter sua carreira. Guga chegou a abocanhar 70 mil dólares durante um verão por lá.

Thomás conta um submundo do tênis que poderia ou não estar vinculado com o carma das apostas que vem sendo combatido pela ITF, ATP e WTA. Ele recebeu uma proposta de 5 mil dólares para entregar sua final do quali de Roland Garros em 2005. O brasileiro-alemão já tinha vaga garantida na chave por conta da desistência anunciada de três jogadores - antigamente os lucky-losers eram os de melhor ranking, hoje a regra é diferente, por sorteio -,mas Thomás recusou a oferta e venceu passando o quali dignamente. Certa vez, no extinto ATP de Johanesburgo, o brasileiro Thiago Alves informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que "não fez tanto esforço" para vencer a final do quali que disputava por estar garantido na chave.

 

Behrend disputou partidas contra Roger Federer na casa dele em Gstaad, e contra o jovem Rafael Nadal, de 16 anos

Hoje Thomás tem uma academia na Alemanha, uma esposa, dois filhos e encerrou sua carreira em 2008 jogando duplas no circuito e uma vida bem estabilizada.

 

Ser tenista não é fácil, vencer no esporte, estar entre os 100 melhores ainda mais em países como o Brasil é ainda mais difícil e trilhar um caminho diferente com o coração dividido entre os dois países e sem apoio financeiro é ainda maior. Uma leitura bem legal aos nossos jovens e para quem não o conheceu. Fica a dica, leiam Thomás Behrend, jamais desista de seus sonhos!