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O Rei do ATP de Buenos Aires: David Nalbandian

Quinta, 21 de fevereiro 2013 às 20:08:17 AMT

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Tênis Profissional
Por Ariane Ferreira - Um dos mais tradicionais torneios do circuito, o ATP de Buenos Aires, poderia muito bem ser chamado de ‘Copa David Nalbandian’, sem nenhum exagero. A cada dez fãs de tênis que adentram o Lawn Tênis Club, oito querem vê-lo e os dez falar com ele.

Aos 31 anos, David se aproxima do fim da carreira profissional no tênis, mas o vice-campeonato em São Paulo após seis meses parado em virtude de uma lesão no abdômen, animou e muito os torcedores locais. “Vamos, David! Vamos!”, grita uma família ao chegar no evento.

As pessoas vêm de longe para o torneio. Maria Blanco, analista de sistemas, conterrânea de Nalbandian, veio com amigos para conferir as partidas de ‘El Rey’, como é chamado pelos compatriotas. “A grande graça do torneio é ver David e sua categoria. Almagro, Ferrer, Robredo e tantos outros me agradam, mas não troco um jogo dele nem por (Roger) Federer”, diz empolgada Maria.

Maria e os amigos Juan, Roberto, Alina, Ruben e Marcela queriam ter organizado uma sequência com camisetas que formariam o nome de David, mas não conseguiram. “Precisei deixar o trabalho em dia para vir, todos precisamos, aí não deu tempo”, contou a cordobesa.

Aos 32 anos, Blanco e os amigos acompanharam toda a carreira de Nalbandian e foram testemunhas de seus 11 títulos e 13 vice-campeonatos: “Estava aqui (Buenos Aires) em 2008, quando ele ganhou lindamente, assisti quase todo o resto pela TV. David é muito grande”, opinou.

Nalbandian lotou a quadra Central na última quarta-feira e promete fazer o mesmo diante de David Ferrer nesta quinta. “A torcida é maravilhosa, promete fazer um caldeirão, darei tudo em quadra, como ele fará”, disse o ‘Rei’ ao sair do estande de uma patrocinadora.

A admiração dos locais não se restringe aos torcedores. Horário Zeballos contou ao Tênis News como vê seu companheiro na Copa Davis: “David é um ídolo, é o rei. Não há quem não o admire, ele muito me inspira e a todos. É um exemplo”.

Também ídolos locais, Gastón Gaudio (vencedor de Roland Garros em 2004 após bater na semi Nalbandian e na final outro argentino, Guillermo Coria) e Juan Ignacio Chela, concordaram quando questionados sobre o reinado do cordobês. “Não o chamam de rei à toa”, disse Chela. “Sim. Tudo é por ele”, considerou Gaudio cercado por torcedores, “tem muito talento. É um símbolo do nosso esporte”, considerou.

O “David Nalbandian Tênis Clube” é o com maior número de adeptos, inclusive na imprensa. Um colega confessa: “O amor por David é tão grande, que há quem odeie Juan Martín (Del Potro) achando que eles são inimigos”.

Para o jornalista especializado em tênis, com a aposentadoria de Nalbandian, os fãs de tênis tenderão a ficar órfãos. “Quando Coria e Gaudio foram parando, havia ainda Chela e David. Hoje, as pessoas direcionam-se a Juan Mónaco, pois sabem que o fim dele está perto. Entretanto, mesmo com talento enorme (Juan) Mónaco, Guido (Pella), Charly (Berlocq) e mesmo Delpo não vão suprir essa carência”.