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O Brasil Open aquém de Rafael Nadal

Domingo, 17 de fevereiro 2013 às 15:41:55 AMT

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Tênis Profissional
Por Ariane Ferreira - Aquém das discussões de “Nadal”, “Federer” e “Djokovic”, sobrevive um lado do fã de tênis, algumas vezes excluídos das rodas de conversa por conta da não escolha por um dos top-3. O Tênis News encontrou no ginásio do Ibirapuera esses excluídos na multidão.Foto: Elcio Padovez

Os peregrinos de Nadal podem ser maioria, mas não são únicos.

O torneio paulistano recebeu em média 8 mil pessoas, até a última sexta-feira segundo a organização. Delas, a maioria esmagadora foi composta por fãs e adeptos do espanhol Rafael Nadal. Entretanto, o próprio torneio tentou dividir holofotes.

A chave trouxe os experientes e ex-top 10 David Nalbandian e Tommy Robredo, que apesar da idade, estão acima dos 30, ainda conservam o talento e as plasticidades de suas jogadas. Além deles, o número um do Brasil, Thomaz Bellucci; Juan Mónaco, argentino destaque do circuito em 2012; o francês Jeremy Chardy, a grande sensação do Australian Open 2013; o espanhol Nicolas Almagro, tricampeão do torneio e também argentino Horário Zeballos, primeiro algoz de Nadal em seu retorno; tentaram cativar o público.

Não deu certo tão certo, as apostas caíram cedo na chave do torneio, somente Nalbandian sobreviveu, mas isso não foi problema para os intermináveis fãs.

Enquanto pessoas se estapeavam por um segundo da atenção de Rafael Nadal, a brasiliense Sarah Barros carregava solitária um cartaz em apoio a Horácio Zeballos (foto). Com os dizeres em espanhol: “Zeballos. Quem? O homem que bateu Rafael Nadal. Vamos Cebolla!”, em referência ao apelido do hermano, Sarah tentou animar o argentino em suas partidas: “Quando ele viu o cartaz sorriu e ficou todo faceiro”, contou sorrindo a advogada que acompanha o trabalho do tenista há algum tempo.

Sarah é fã mesmo de Zeballos, assim como a argentina Adriana Lino, que vive há pouco mais de um ano do Brasil e foi ao Ibirapuera apoiar os compatriotas, mas principalmente a Juan Mónaco. “Jogo tênis desde os oito anos, gosto de Pico porque é argentino como eu, torce para meu time (Estudiantes de La Plata) e porque gosto da maneira como tem jogado agora”, diz. A analista de sistema revelou-se também fã de Nalbandian, “mas quem não é? Temos mais ou menos a mesma idade e sempre o acompanhei”, explica.

Adriana se apaixonou pela evolução no tênis de Juan Mónaco, da mesma forma em que Juan Carlos Ángel passou a fazer parte da lista de torcedores de Nicolas Almagro. Espanhol de Marbella, Juan Carlos conta que soube de sua programação de trabalho no Rio de Janeiro na semana anterior e já encomendou uma folga para semana do Brasil Open: “Quando decidi não se falava em Nadal, quando comprei os ingressos nada estava confirmado, vim para ver Nico”, decretou. Juan Carlos brinca que a evolução do natural da Murcia é o que mais lhe impressiona: “Ele tem uma esquerda belíssima, me lembra uma certa esquerda brasileira, dos sonhos. Mas Nico está evoluindo golpes e até comportamento. É um típico murciano, com ‘sangue nos olhos’ como vocês dizem aqui”, finalizou.

Juan Carlos brinca que gosta ainda mais do tricampeão do Brasil Open porque agora está com seu xará e eterno ídolo Juan Carlos Ferrero: “Juan é incrível. É muito importante para a nossa história. Nicolas já ganha muito por ser um amigo verdadeiro dele”, opinou.

Como a história é torcer para compatriotas, Erick Cohn com certeza foi o destaque. O francês agitou o Ibirapuera e chamou a torcida a gritar “Chardy, Chardy” em momentos complicados da estreia/derrota de Jeremy. Acompanhado de quatro colegas de trabalho William Nakasone, Marcello Acerbi, Fabio Calegari e Altair Silva, Erick, que esteve no Brasil a trabalho foi ao torneio especialmente para apoiar o tenista: “Quero ver Nadal sim, por que não? Gosto de Jeremy porque é francês, mas também porque é muito talentoso”, opinou.

Erick acredita que Chardy deve dar um salto em seu ranking este ano e também o vê como grande tenista de seu país apesar dos nomes de peso.

Há quem venha a São Paulo apenas pelo esporte, este é o caso do autônomo Daniel Bervian, que veio, pela segunda vez, ao torneio direto da pequena Dois Irmãos cidade no interior do Rio Grande do Sul. “Vim pelo esporte, gosto de tênis. Os jogadores são atração sim, mas pra mim não como são para algumas pessoas, eu gosto do jogo”, contou.