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Bellucci corrige postura para combater lesão crônica

Quinta, 14 de fevereiro 2013 às 08:00:00 AMT

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Tênis Profissional
Por Fabrizio Gallas - Thomaz Bellucci vem buscando soluções para superar outro duro rival, fora das quadras, as dores crônicas no ombro, que se arrastam há mais de um ano e se acentuaram nos últimos meses. A revelação foi de seu técnico Daniel Orsanic.

O treinador argentino que iniciou o trabalho com Thomaz no fim de 2011 contou ao Tênis News que Bellucci vem realizando junto com o fisioterapeutas, Ricardo Takahashi e o da Copa Davis do time brasileiro, Paulo Roberto Santos, um trabalho de correção postural para aliviar as dores de Bellucci: "Na pré-temporada praticamente não usamos o ombro justamente para que o mesmo evoluisse, mas melhorou pouco. Estamos fazendo um trabalho postural para relaxar e fortalecer essa área. Bellucci já sente dores no ombro faz tempo, é um pouco crônica já," destacou Orsanic que descartou a hipótese de uma cirurgia e sim o trabalho de correção que vem sendo feito.

"Bellucci não precisará de cirurgia, o risco de cirurgia é zero", sentenciou: "Com esse trabalho de correção postural ele vai conseguir sanar esse problema, estamos confiantes sobre isso. Ele está com excesso de uso da região e continua jogando muito, mas precisa tirar completamente essa dor, é dificil que ela pare por completo, mas estamos tentando para ele poder ficar 100%".

Um das preocupações desse problema é afetar o serviço do brasileiro, um de seus principais golpes. Segundo Orsanic, as dores apareceram de forma intensa no Aberto da Austrália onde o brasileiro precisou diminuir a intensidade do serviço: "Qualquer dor que limite o movimento, um golpe, tira um pouco da precisão. Na Austrália o Bellucci tentou jogar sem sacar seu 100% e não deu certo, ele precisa do saque, precisa se sentir agressivo com o saque para que o resto do jogo ser agressivo, e que ele possa ditar o ritmo do ponto", disse Orsanic que destacou uma evolução após o primeiro Grand Slam do ano.

"O ombro doeu menos na Copa Davis e agora na estreia do Brasil Open ele não teve problemas. No momento Bellucci vem com dias com dói mais e outros que dói menos. Ele está melhorando aos poucos, depois da Copa Davis fez uma nova ressonância magnética e deu uma diferença positiva em relação à última".

Técnico pede mais alegria dentro de quadra para Bellucci - O argentino vem buscando em seu trabalho algumas evoluções técnicas no jogo do pupilo O aprimoramento dos slices principalmente para a quadra dura é uma delas e outra é aliar a paciência com sua agressividade.

"Thomaz tem que melhorar algumas coisas dentro do ponto, escolher melhor algumas jogadas. Às vezes ele joga com um pouco de pressa quando não precisa. Ele tem uma qualidade de bola muito alta, mas tem momentos onde fica com pressa para acabar a jogada e precisa ter mais calma", diz Orsanic que contou outro aprimoramento técnico e também na parte física que vem fazendo com o tenista de Tietê ao lado de seus dois novos preparadores físicos, Juan Manuel Galvan e Leonardo Prieto que alternam, desde o início deste ano, semanas de viagem ao lado do tenista de 25 anos durante os eventos.

"Estamos trabalhando bastante nos apoios dele, para a abertura de perna ser maior e melhor pra ele poder transferir na bola sua força e estatura que tem", comentou: "Ele ainda tem uma margem importante pra melhorar no seu lado físico, já apresentou uma evolução, mas ainda tem bastante a melhorar para poder dar uma tranquilidade psicológica a ele para enfrentar jogos duros".

A parte mental é uma das preocupações na evolução de Bellucci. Na metade do ano passado, o número 35 do mundo iniciou o trabalho com a psicóloga Carla di Pierro, e Orsanic vem aprovando a junção dela ao staff e os dois vêm interagindo para que o canhoto jogue menos pressionado em quadra.

"Uma das maiores satisfações que eu desejo para Bellucci é que ele possa desfrutar mais do jogo, bem mais do que ele faz, assim como eu vi ele curtir na Copa Davis, no jogo de domingo (onde venceu John Isner em cinco sets). Se ele conseguir desfrutar mais do que ele faz, vai jogar melhor", destacou Orsanic.

A parte mental e a física são determinantes para que o brasileiro volte a ter bons resultados em torneios grandes, uma das metas de Orsanic para que o tenista evolua no ranking. Sua última vitória em um Grand Slam foi no Australian Open de 2012 onde caiu na segunda fase diante de Gael Monfils.

"O trabalho aponta bastante em tentar fazer com que ele jogue tranquilo, sem dor, livre e que tecnicamente ele possa melhorar. Se tudo isso vier junto, a equipe confia que ele possa jogar melhor torneios maiores. O ranking reflete o momento que o jogador vive, cada jogador tem o ranking que merece, tecnicamente o Thomaz é muito bom, fisicamente é forte e ele gosta de jogar tênis. Potencial muitos jogadores têm, muita gente bate bem na bola, mas é necessário colocar todas essas coisas juntas, mental, técnico, físico para se consolidar num jogador melhor do que ele é".